Aquele sentimento que é a plenitude da beleza, que completa totalmente a alma. Ápice do deleite.
Além da felicidade, apogeu. Íntimo, único e lírico. Máximo, lépido e épico. Eu quero.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Recuerdos de uma mochila - La Paz

No caminho para o hostel não foi possível dar uma boa olhada na cidade. O que vi foram muitas ladeiras e pra variar, buzinas. O prédio do Loki Hostel é antigo e bonito, a sensação de finalmente chegar lá foi de puro alívio. Havia um bar, vários lugares para "hang out", inclusive um "bar de oxigênio". O nosso quarto era triplo e já estava reservado. Deixamos nossas mochilas numa pilha junto com outras e fomos tomar café da manhã no bar enquanto esperávamos para fazer o check-in. Tomei o meu primeiro chá de coca e foi reconfortante, comemos uma comida boa e apesar da nossa sujeira e cansaço, a felicidade era plena. Mochileiros, jovens, velhos, guris e gurias por todos os lados, o ar descontraido do albergue tomou conta da gente. Nosso quarto era o máximo, logo montamos nosso varal, guardamos as coisas e tomamos um merecido, maravilhoso e refrescante banho. O primeiro passo foi planejar o passeio do dia seguinte, num pico da Cordilheira dos Andes, o Chacaltaya. Logo depois, saimos para passear pelo centro, comprar bugigangas e roupas para o frio. Uma mistura de cores e pessoas tomavam conta do ambiente. Naquele instante, em meio a quinquilharias lindas, feita pelos indígenas, vendo os prédios colonais e a ordem dentro do caos, La Paz me encantou. Fomos com tanta vontade atrás dos blusões e das tocas que nem lembramos que estávamos a quase 4.000 metros de altitude. Cada passo era um desafio, ao respirar a sensação era que não havia ar suficiente. A pressão do Dudu baixou, estávamos os três tontos, pela altitude e pelo momento que estávamos vivendo. Caminhamos por vários cantos da cidade e voltamos para jantar no albergue as maiores "papas fritas" que eu já comi. Papeamos, demos boas risadas com alguns estrangeiros e penamos para subir os dois andares até nosso quarto. Fomos dormir meio cedo, depois das rotineiras palhaçadas, enfim numa cama boa e aconchegante.
 primeiro almoço no albergue
 nosso varal
 mercado das bruxas
 loki hostel

Recuerdos de uma mochila - Indo para La Paz

A viagem para La Paz merece um post especial. Do pequeno hostel em Santa Cruz de la Sierra partimos para o Terminal de Buses numa kombi caindo aos pedaços, lotada, repleta, cheia de cholas e pequenos bolivianos mais nós 3 e nossas mochilas. Posso dizer que esse trajeto foi nossa primeira aventura, uma pobre boliviana levou várias mochiladas na cara, uma criancinha cholita quase levou embora o macaco da minha bolsa e eu ainda não sei como conseguimos sair daquela kombi e como não morremos asfixiados ou esmagados, ou sei lá.
No terminal corremos para onde o onibus iria sair com nossas mochilas e sem saber que tinha que pagar uma taxa de embarque. Nessa hora encontramos os primeiros mochileiros que nos deram uma mão, explicaram onde tínhamos que pagar (esse é um costume normal lá, pagar uma pequena taxa de embarque) e onde deixar as mochilas, no balcão da companhia do nosso ônibus. Bom, a gente tinha pagado um pouco mais para ter um bus super bacana, dois andares, com só três poltronas por fila, afinal eram 18 horas até La Paz nas estradas bolivianas subindo a serra/cordilheira/montanhas, enfim, subindo. Os nossos lugares eram lá no final do corredor, estávamos achando o máximo............. Até começar a viagem.
No entardecer a paisagem era comum, nos arredores de Santa Cruz, eu estava na janela e quando fui deitar a minha poltrona bus cama, descobri que ela tava estragada e ficava subindo. Sim, ela deitava e aos poucos ia voltando pra posição inicial. Ela não ficava deitada. 18 horas de viagem. A poltrona não ficava deitada. Deu pra entender?
Quando anoiteceu, tudo mudou. Cholas e bolivianos começaram a entrar no ônibus e a se sentar e deitar no corredor. A Leila acordou com um boliviano - que ficou conhecido como Lhama - deitado no nosso lado, comendo nossas bolachas. A parada da noite pode ser resumida em uma palavra: bizarra. Era uma construção não totalmente construída, com umas cholas vendendo alguma gororoba numa panela, uma banquinha (ainda bem) com refri e bolachas e um "banheiro", que tinha que pagar pra usar, obviamente. Essa parte que chamavam de "baño" era uma sala com cabines com um buraco no chão. Aham, um buraco no chão. A Leila tem fotos. Tomamos uma coca, compramos algumas "oreos" e outras bolachas e observamos, refletimos um pouco. Estávamos apavorados no bom e no mal sentido.
Troquei de lugar com o Dudu pra descobrir que a poltrona dele também subia de volta, não tanto quanto a minha, então deu pra dar uma dormida. Costumávamos dizer que tínhamos "nascido pra isso" e que o soroche, o mal da altitude, não iria nos afetar. Não sentimos a subida, mas na manhã do dia seguinte a paisagem era deslumbrante! Estávamos em meio a montanhas, passando por penhascos e o sol batia nelas e o tom dourado era incrível. E a subida continuava.... Passamos por inúmeros povoados marrons só com EVO escrito nas paredes e pelos famosos gasodutos da Bolívia. Eu comecei a sentir um pouco de dor de cabeça e a Leila já estava mais pra lá do que pra cá. A segunda parada foi um pouco melhor, era perto de um povoado e a Leila vomitou, hehe. Chegamos a conclusão que tínhamos nascido mais ou menos pra isso. O Dudu tentou dar um caô na chola da venda e ela chingou ele em português. Bem feito. Já estávamos um trapo e ainda tinha mais algumas horas de viagem. A paisagem era tipo dos campos de cima da serra e o Dudu e a Leila já tinham avistado umas lhamas ou alpacas, eu ainda não. Não aguentávamos mais comer bolachas........... seguíamos viagem.
La Paz fica num vale, rodeada de montanhas e picos nevados. O centro e a parte rica da cidade ficam lá embaixo e as construções mais pobres, algo como favelas iam subindo "o morro" e lá em cima, antes de descer, fica uma cidade relativamente nova, a 4.100 metros de altitude, El Alto. A cidade é repleta de construções não acabadas e extremamente marrom. O trânsito pra variar é um caos e a buzina domina.
Depois de mais de 19 horas no bus, chegamos a La Paz. Fomos descendo, entrando no vale, a visão espetacular daquela enorme cidade no meio das montanhas. O Dudu e a Leila viram neve pela primeira vez de longe. Completamente tontos tivemos que descer entre vários ônibus chegando e saindo. Cambaleamos até um taxi e demos o endereço do Loki Hostel. Finalmente na querida La Paz, a 3.660 metros acima do nível do mar.
 Subindo - Baño
 cansados, sujos e tontos - indo para La Paz

terça-feira, 30 de março de 2010

Me ensina

E quando o amor não é mais certo? Quando a certeza já não existe? Quando de repente, o tudo já é nada e o nada dói fundo em lugares que eu nem sabia que eu tinha. Me ensina a seguir vivendo, vivendo pela metade, assim, desse jeito. Me diz pra ficar bem, pra ir tranquila, sem pensar desvarios em vão. Onde ficou tudo? Cadê a esperança e a vontade de fazer acontecer? Todas aquelas palavras, aqueles momentos? Não me responde. A resposta tá com o tempo? Tudo passa? Vou ficar bem? Tudo passa? Até o amor? Me ensina a viver assim, sozinha. Me diz como seguir viagem, como andar pra frente, sem olhar pra trás. Me ensina, mas não me olha, não me dói. Não encosta o teu olhar no meu, teu olhar que não é mais meu. Não faz assim, não mostra o teu sorriso que não sorri mais pra mim. Me ensina a viver, a viver e conseguir te perder. Me mostra como ser eu mesma, a continuar caminhando, sem o teu conforto e teu coração me acompanhando.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Querendo ser

Verdadeiras são as palavras que se desprendem,
Vão saindo sem pedir licença,
Transformando sentimentos em frases,
Explorando devaneios,
Poetizando e sendo vida,

A mim resta apenas refletir,
Querendo ser como as palavras,
Puras poetizas, redentoras do êxtase,
Imensas, tais palavras,
Que satisfazem a alma,
E completam o meu ser.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Para os desinformados

Talvez minha espontaneidade possa transmitir alguma impressão errônea sobre o que realmente sou, talvez não. Mas não se iluda, eu sou, como diria Saint-Exupéry, invisível aos olhos. Eu sou arte, sou natureza, sou além. Eu tenho sede por cultura, por vivência, por ir além. Surpreendentemente tendo a surpreender e a ser surpreendida. Em constante evolução sou intensidade, sou poesia e sou verdade. Que fique bem claro, tenho a alma lépida e, tal como Cecília, creio na potência e na virtude das palavras. “A liberdade das almas, ai! com letras se elabora…”.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Reflexões de uma mochila

Eu ainda estou tonta. Abalada de ter voltado à realidade, de ter acordado do meu sonho. Não messo palavras para dizer que vivi um sonho. Estou atordoada, tentando digerir os momentos, os instantes que alcancei meus objetivos, que beirei a perfeição da felicidade, da intensidade, da plenitude da alma, de fato. Pode parecer exagero, mas uma alma intensa, que anseia por conhecimento, poesia e cultura, vibra a cada minuto, a cada passo com 15 quilos nas costas, a cada encontro com um novo povo, novos lugares, novas paisagens, novo clima, novas pessoas, novas almas em busca de um mesmo objetivo: saciar a sede de tudo, de colocar uma mochila nas costas e viver o mundo, viver o tudo, toda hora. Penso no que escreveriam aqueles grandes poetas que leio, que me inspiram, ao presenciarem o que eu vivi. A imensidão do sagrado Titicaca, o poder do Vale também Sagrado, a imponência do Cañon del Colca, o infinito do salar de Uyuni, a magnitude do deserto de Salvador Dalí e o encanto dos anjos que encontrei por aí. Nós, andarilhos pela América do Sul querendo mais e mais. Nunca imaginei as consequências dessa viagem e agora no conforto do meu próprio quarto me sinto mais longe de casa do que nunca. Por fim, deixo uma frase que nos acompanhou durante todo trajeto, dita por outro mochileiro descendo o Chacaltaya: "o que importa no caminho é a pedra."

Recuerdos de uma mochila - SEGUNDA PARTE

Acordamos e partimos logo para a prática do desapego, ritual que se tornou usual na nossa viagem. Tomar banho e lavar os cabelos com água gelada. Fichinha. A cidade de Santa Cruz traduz o caos na Terra. Supostamente o centro econômico da Bolívia, a cidade se resume em uma rede de aneis mal sinalizados com prédios não totalmente construídos - salvo a região central - onde o som oficial é a buzina dos carros. A cor predominante é o marrom da poeira e nas lojas macacões coloridos, fantasias aparentemente típicas para os blocos do carnaval. Afim de comprar a passagem para La Paz, utilizamos como meio de transporte uma kombi caindo aos pedaços lotada de cholas - mulheres indígenas de cabelos negros e longos, com saias típicas e odor não muito agradável na maioria das vezes - e do pequeno (mais que eu) povo boliviano. Relativamente fácil chegar ao terminal de buses e comprar a passagem no bus "cama" que levaria 18 horas para chegar ao destino final. Tiramos o resto do dia para conhecer o centro, de fato muito bonito, com a típica plaza de armas e a catedral central. Em nosso albergue simples contamos com a ajuda do querido faz tudo (arruma as camas, limpa banheiro, guarda as mochilas, trabalha no balcão, etc) para nos situarmos na cidade. Nosso ônibus saiu as 17h em direção a La Paz. Nesse primeiro dia de viagem, confesso que gastei algum tempo pensando sobre a "exótica" Bolívia que estava vendo, ainda não tinha me apaixonado pelo país, pelo povo, pela cultura. Eu era "verde", as primeiras impressões não foram as melhores e minha mochila ainda estava limpa.
 Igreja na praça central de Santa Cruz de la Sierra

terça-feira, 9 de março de 2010

Recuerdos de uma mochila - PRIMEIRA PARTE

A gente cruzou a porta do aeroporto em direção ao setor internacional. Depois de mais de oito meses planejando, havia chegado o dia. Um mês inteiro, ou melhor, somente um mês, viajando pela América do Sul. Eu, Dudu e Leila, amigos que o destino uniu por acaso e não por acaso permaneceremos para sempre. Os destinos? Bolívia, Peru, Chile e Argentina, cada um com seu encanto. Nada de Europa, nada de América do Norte, e sim o nosso continente, nossos vizinhos, nossos hermanos. De Porto Alegre voamos para São Paulo, onde conseguimos pegar o vôo para Santa Cruz de la Sierra na Bolívia com algumas horas de atraso. Chegamos de madrugada, depois das duas da manhã no aeroporto Viru-Viru, nome também pertencente à mochila da Leila. Pegamos um taxi até o centro da cidade onde iámos nos hospedar, o aeroporto estava alguns quilômetros distante da cidade e a primeira impressão da Bolívia foi meio estranha e vazia demais para descrever aqui. Completamente nervosa, mal pude acreditar que havíamos chegado, depois de um perrengue já no aeroporto com o cara da imigração implicando com a Leila, talvez ela fosse mesmo traficante ou cafetona. Finalmente numa cama, em um albergue simples de Santa Cruz, pude sentir um pouco do que havia começado. Nós três, pela América, pelos cantos e esquinas desse continente, munidos apenas de nossas mochilas, uma garrafa de água, curiosidade imensa e a vontade única de absorver cada segundo dos momentos que iríamos viver. Mal sabia eu, naquela época, como diz um amigo, ainda "verde", que esses próximos dias iriam mudar a minha vida, minha história e a mim mesma.
eu e leila no aeroporto - atraso na viagem

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

del sur

Hoje, num dia excepcionalmente difícil da minha viagem, senti vontade de escrever aqui, além das páginas do meu diário. Quais sao os significados e motivos que nos impulsionam a conhecer e vivenciar a América do Sul? O que sao eles depois de experimentar cada canto excêntrico e diferente, sutil e estonteante desse continente tao perto de casa e ao mesmo tempo tao longe, dividido por uma imensa barreira de preconceitos e ignorância? Espero tentar encontrar algumas respostas e poder colocar em palavras os sentimentos que senti, os momentos que vivi, como sonhei acordada ao conhecer a Bolívia, o Peru e o Chile. Por enquanto só me atrevo a dizer que um mochilao é, além do óbvio, principalmente vivência e evolucao da alma.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Do amor e da paixão

As vezes a intensidade da paixão se mistura com a tranquilidade do amor. Perdem-se os sentidos, tantos sentimentos elevam o mínimo desacordo ao máximo do desentendimento. As vozes são altas, os passos rápidos e a vontade é de sumir.
"Sumir, turbilhão de sensações, confusão, sumir.
Sumir, não pensar, confusão.
Pensar um pouco, talvez sumir.
O quê? Sumir? Nunca.
Voltar."
Em meio à intensidade e a tranquilidade, é preciso calma, é preciso não sumir, não sair e voltar. Quem disse que a paixão e o amor se dão bem? A paixão é egoísta e luta por cada canto no coração. O amor é paciente e sabe esperar. A paixão, afobada, toma a frente e some, confunde, intensifica o insignificante. O amor acalma a paixão, o amor não é orgulhoso e volta atrás. É preciso equilibrar ambos e manter a ordem no coração. Ninguém disse que ia ser fácil. Se fosse, que graça teria?
Ainda bem que te amo e sou apaixonada por ti igualmente, além de qualquer (in)significância.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Simples, assim.

Antiga redação para o cursinho:

Na hora de fazer uma ligação, muitos acabam se atrapalhando com a enorme quantidade de funções que um aparelho celular apresenta nos tempos atuais. A maioria das pessoas está esquecendo a importância da simplicidade das coisas e dos momentos. Fato que acaba trazendo significantes consequências na vida das mesmas.
No mundo altamente tecnológico de hoje, o essencial é estar com a câmera fotográfica ou o celular pronto para capturar várias imagens do pôr-do-sol no Guaíba e depois postá-las na internet. Ao invés de sentar-se confortavelmente e apenas apreciar esses minutos tão especiais até o crepúsculo. Os indivíduos hoje em dia preocupam-se demais com o amanhã e por conseguinte não vivem o agora. Dessa forma, repleta de complexidades e em velocidade máxima, a vida torna-se vazia, por estar muito cheia; sem sentido, por ter muitos significados e extremamente sem brilho e nitidez, por passar muito rápido. Vivendo com tanta veemência, deixa-se passar a melhor forma de aproveitar a vida: com simplicidade.
Portanto, é preciso coincidir a vida turbulhenta com a possibilidade de desfrutar cada instante. Inspirar cada momento, pisar no freio e aproveitar sempre o hoje e o agora. É incrível como viver não é tão complicado como parece. Na realidade é deveras simples, assim.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sobre alguém apaixonante

Então eu vi poesia nos olhos dele. Poesia da minha alma. Ele invadiu por completo minha alma e encontrou seu devido lugar no meu coração. Fez do meu coração poeta, também. Diante de tal fato encontro meus olhos, minha alma e meu coração acanhados de quererem tanto os olhos, a alma e o coração dele. Um bem tão grande, inenarrável, que ele me faz, que eu faço à ele. Tão bom gostar assim, poetizar assim.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sonho que se sonha junto..

Ela abriu os olhos, esfregou-os com as mãos. Fora um sonho? Olhou em volta. Percebeu a ponte do jardim de Monet na parede, numa reprodução - poster- de algum quadro seu. No chão, somente suas roupas, a capa do dvd "Vicky Cristina Barcelona" aberta ao lado dos seus "all-star" dourados. O sofá ali, vazio. Lembranças vagas e indefinidas daquele sofá vinham-lhe à mente. Teria acontecido? A porta estava fechada, nenhum som vinha do banheiro. Mas ela tinha pensado ter ouvido o som do chuveiro.. não? Estava cansada. Não queria olhar para o lado, outro lado da cama. Tinha sido tão bom. Viu a garrafa de vodka ao lado do sofá. Vodka, então era isso. Desnorteada, ela e suas lembranças começavam a desaparecer. Aos poucos, tomou coragem para virar o rosto. Antes, porém, teve certeza que tinha acontecido, tinha sentido profundamente sua alma, coisa que sonho não faz. Tinha esperança. Esperava encontrar o...Virou o rosto, olhou o outro lado da cama. Estava sozinha. Fora só sonho. Voltou a dormir.


Ele voltou a dormir, tinha sido só sonho, também. Ou não?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Alma Poeta

Sou poeta da minha alma. Minha poesia é a minha vida, pois minha alma sou eu. Escrevo de dentro da alma. O poeta em mim, que não sou eu, me diz, me guia sutilmente pelas linhas do caderno, pelos cantos das palavras. Minha alma é poeta, não eu. Eu sou a visão real da minha alma. Mera e sem graça realidade. Na minha alma o encanto e o surreal escrevem. Descrevem perfeitamente o belo, o deleite puro, o prazer de cada momento. Eu, na minha simples realidade, tento re-escrever o que minha alma diz. Eu, tentando ser poeta como minha alma, fracasso. Mas sigo a tentar, pois a poesia reside dentro de mim. Nasci com a sorte de muitos e de poucos: tenho a alma poeta, sou poeta de alma. (ou quero ser)

Aqueles momentos eternos

Um dia, quando tu menos espera, tu te encontras numa situação à tempos almejada de alguma forma não de fato imaginada. Algo que tu sempre quiseste, que sempre esteve dentro de ti. Um momento teu, um momento teu compartilhado. Um quadro pintado especialmente pra ti. Tu, finalmente, te dás conta da paisagem na tua volta: o rio, o céu, as nuvens, o lugar, a companhia, o sentimento, o frio na barriga, o vento no rosto, o barulho dos pássaros. Cada instante desenhado somente pra ti, como um presente. A felicidade é plena, o sentimento é belo e indescritível. Momentos esses que duram pouco, mas que, ao mesmo tempo, duram pra sempre. Certamente, anos depois, tu te lembrarás daquele curto espaço de tempo em que, felizmente, tiveste aquela sensação maravilhosa, de tudo encaixado perfeitamente pelo destino e pela vontade mútua das coisas ao teu redor. Haverão muitos momentos como este na vida, mas serão poucos comparados à tudo que é vivido.
Portanto, é necessário aproveitar cada instante, absorver por completo a emoção e o calor da hora. Sabe-se lá quando essa sensação amena voltará ou quando aquela companhia e aquele céu estarão juntos novamente. Eu, por sorte do acaso ou do destino, tenho tido essa sensação encantadora ultimamente. Enfim, vivendo momentos eternos instante por instante sempre que possível, desejando mais e mais.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sobre alguém indizível

"Começou de súbito, a festa estava mesmo ótima.."
Eu, é dito, amo encontros. Uma noite o encontrei, numa festa ótima(?). Nos falamos desde então. Nos vemos? Não. O que ele me passa? Não sei. Então, cá me encontro escrevendo. Ele é uma mistura de alguma sutil prepotência, egocentrismo, ironia e uma expressiva doçura e inteligência. Interessantíssimo, daqueles que tu quer por perto seja por conveniência ou por desejo próprio. Eu disse pra ele que "é alguma coisa muito irritante, mas às avessas, que estranhamente torna suportável até demais..". Com certeza de qualquer coisa, é amizade. Contudo, não por mim e nem por ele, essa amizade parece estar numa linha tênue entre algo que não é nada demais, mas é além, pois há uma peça de roupa envolvida. É como ele uma vez disse, dúbio -tal o texto dele, tal o que temos, tal o que aqui escrevo-. É válido constatar que falta muita coisa, pois são só letras verdes o que ele vê. Falta o olho no olho, sair do uso constante só das palavras. O que ele pensa? Essa pergunta certamente garante divagações bem significantes da minha parte.
Já eu, que nem sei ao certo o que penso, me atrevo a exprimir uma vaga(ou não) curiosidade sobre o que esse douto alguém ainda me fará pensar/sentir/ser. Ele perguntou "qual é o peso de uma palavra escrita se tudo que posso esperar de resposta é outra de volta?" Eu respondo com esse texto e com a espera de que essa afinidade pós-moderna recém-nascida evolua com veêmecia e seja, de fato, lépida.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Sonho de ser a vida ou Ser um sonho de vida ou Viver sendo sonho

A vida sonhada,
ser como sonho,
viver para ser,
sonhar com a vida,

Viver o sonho. Ser a vida.

sábado, 6 de junho de 2009

REVOLUÇÃO íntima.

Viva la revolución!
Abaixo à eu(mim) mesma! Sim, hoje acordei revolucionária. E a revolução começa agora. O motivo: Ana Elizabeth Soares de Azevedo, vulgo Bebeth, vulgo eu. Ontem eu surtei. Hoje eu pergunto. Quem sou eu? O que me interessa? O que me interessa além dos meus interesses? Por que sufocar as pessoas que amo? Por que amar tanto? Por que se jogar tanto? Por que pensar tanto e, principalmente, por que não pensar quando se tem que pensar? O que eu vejo no espelho? Cadê a identidade? As respostas eu sei e não sei. Eu quero e não quero. Cansei de saber o que procuro escolhendo não procurar. Cansei de procurar demais o que não sei se quero pra mim. É um aperto, uma confusão interior. Eu quero tudo e não quero nada. Eu quero querer alguém, quero ser "querida". Eu quero o que passou. Não somente o que passou pra mim, quero o que é passado. O que já foi. Quero saber realmente o que eu quero. Quero encontros! Quero ser encontrada. Escrevo, porque quero. Escrevo, porque preciso. Falo comigo mesma. Preciso conversar comigo. Preciso querer. Quero precisar. Quero gritar e encontrar o nome daquela música "lalalalaaa lalala dance with me...". Quero dançar ao som daquela música que nem posso escutar! Não quero mais machucar o meu queixo. Quero beijar quem nem pensa em me beijar! Não quero mais ir tanto atrás, dar chance ao acaso. Quero encontrar quem nem tenta me encontrar! Quero fabricar mais encontros casuais. Quero não precisar fabricá-los. Preciso me acalmar. Quero me agitar. Preciso escrever, preciso desabafar. Quero alcançar. Cansei de ser canhota. "Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. "* MAS EU QUERO SER GAUCHE NA VIDA. Sou esquerda, sou canhota. Sou diferente? Sou eu mesma? Sou igual? Quem eu sou? O que eu sou? Tu me conheces? Palavras. Preciso das palavras. Eu quero as palavras. Quero me libertar. De quem? Do que? E a vida? Quero a minha vida. Preciso viver viva. Surpresas. Quero surpreender alguém. Quero ser Amelie Poulain. O que me faz pensar? O que é o pensamento? "Eu não devia te dizer mas essa lua mas esse conhaque botam a gente comovido como o diabo."* O que me comove? Penso em me comover? Penso tudo, penso tanto. Nada se encaixa, nada dá certo. Penso e complica. Não penso e piora. É tudo destro e eu sou canhota. Sou gauche. Sou gauche na vida. Seria esse meu destino? Ser errada no mundo. Certa no meu mundo? Qual seria ele? Então essa revolução acabaria? Me encaixaria no meu mundo, no meu canto? Eu seria a favor de mim mesma? Eu quero meu mundo. Preciso do meu mundo. Seria a resposta? Vou em busca. Vou me encontrar. Encontrar o meu lugar, meu mundo.
Se eu encontrá-lo, tu vens comigo?

*Trechos do "Poema de sete faces", C. D. de Andrade.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Eles.

Ele não ligou mais uma vez.
Ela, impaciente, perdeu as esperanças, além da noção do tempo.

Eram seis da manhã.
Com um café na mão, foi à praia -deserta no inverno- apreciar o sol que acabara de nascer.
Ele, na cidade, voltava pra casa, bêbado, com uma cerveja na mão, apreciando o sol que acabara de nascer.
Ela, desiludida e com TPM, chorava deitada na areia, revivendo momentos passados.
Ele, chapado, ria deitado no sofá, revivendo momentos passados.
"Como ele pôde?!", pensava ela, acabada, sobre a falta de consideração dele nessa semana. "Como ela pôde?", pensava ele, satisfeito, sobre a atuação dela na cama, semana passada.
Ela, sem pensar, ou por pensar demais, decidira desistir de tudo. Nunca mais pensaria nele. Nunca mais o veria, esqueceria de tudo. Se para ele não significou nada, então, seria o mesmo para ela. Passou a manhã decidindo apagá-lo da memória e passou a tarde dormindo, sonhando com ele.
Ele passou a manhã dormindo, sonhou com futebol e carros. Passou, também, a tarde decidindo ir encontrá-la. Sem pensar, ou por pensar demais, decidira começar tudo, de fato. Aquela noite obviamente significara algo. Temia parecer muito antecipado. Queria vê-la, lembrava de tudo.
Ela tirava conclusões, nervosa e desiludida.
Ele tirava conclusões, tranquilo e calmo.
Ela, na casa da praia, quis jantar uma massa aos 4 queijos, sua única preferida. Cozinhou-a com apreço. Como se fosse a última vez.
Ele, na estrada, pensava em uma massa vermelha ou aos 4 queijos, tanto fazia. Como todas as vezes.

Ela colocou a mesa e ele chegou. Ela, gelada por dentro ao ver sua barba por fazer e seu sorriso que iluminava o mundo, o cumprimentou.
Ele, quente por dentro ao ver seu vestido estampado que contornava suavemente suas formas, a cumprimentou.
"Eai, quanto tempo." "Pois é, tava afim de te ver." "Legal que tu vieste." "É massa aos 4 quejos? Po, to tri com fome." "É, fiz bastante, janta comigo".

Ela tinha milhões de coisas para dizer, chingamentos enormes, sermões intermináveis.
Ele queria se declarar, falar dos sentimentos.

Porém, nada foi dito. Naquela noite ela e ele foram um, mais uma vez. Se amararam como se não houvesse mais nada no mundo. Finalmente se compreenderam. Ela desistiu de esquecê-lo e ele resolveu lembrar cada vez mais.

Eram seis da manhã.
Ela fazia que dormia, ria.
Ele a contemplava e ria.
Sentimento puro que só eles possuem.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Bicicleta

Leitor, estou empolgadíssima! Fevereiro vocês verão o porquê.
Uma dica: Bolenas são LOCOS POR TI, AMÉRICA.
Né?
Aquele abraço.