Aquele sentimento que é a plenitude da beleza, que completa totalmente a alma. Ápice do deleite.
Além da felicidade, apogeu. Íntimo, único e lírico. Máximo, lépido e épico. Eu quero.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Longe

Já me disseram que eu não sei criar raízes, que eu só penso em ir embora. Nunca sei se consigo explicar como eu sou, como eu crio raízes eternas em cada lugar que conheço, com cada pessoa que me toca. Não sei se um dia vou ter a certeza de que essa é a melhor opção, essa coisa de ir e vir, o desejo eterno de ir embora, mas essa é a minha única opção. Essa sou eu e só assim consigo sentir-me completa e verdadeiramente eu. Eu.

Não é fácil. Eu convivo há anos, precisamente desde 2006, com uma palavra de significado dolorido, um advérbio denso. Longe. Eu escolhi uma vida de chegadas e partidas, sou jovem, porém, já carrego uma bagagem pesada, três intercâmbios, vinte e dois países, inúmeras viagens, uma Porto Alegre e incontáveis amores e amigos. Já fui definida por muita gente por uma palavra de igual peso. Intensidade. Eu e essa intensidade rodamos o mundo e o bairro encontrando pessoas, conhecendo almas, vivendo histórias e sendo tocadas lá no fundo por mentes brilhantes e conversas interessantes, que fazem pensar.

Há poucos ou muitos oito anos eu venho apresentando-me e despedindo-me desses lugares, dessas histórias e especialmente dessas pessoas que moldam a minha vida, a minha história. Três dias, dois meses, um ano, 24 anos. A maioria delas são pessoas que eu escolhi conhecer, escolhi deixar que me tocassem, que se tornassem personagens essenciais na minha trama, no enredo da minha vida. Cada uma contribuiu e ainda contribui em algum aspecto nessa eterna jornada de autoconhecimento, por mais clichê que essa frase pareça. Amigos, paixões de um dia e amores eternos que entraram, saíram e mesmo assim ficaram. Cada despedida, no lugar de tornar essas experiências efêmeras, as tornam infinitas, presas no presente constante do meu coração, nas lembranças eternas e nas marcas visíveis e invisíveis que deixam em mim, ao tocarem a essência do meu ser.

Longe. Cada pessoa que se vai, mesmo para voltar, cada vez que eu vou, mesmo para voltar, cada vez que eu sei que nunca mais voltarei, é mais um longe para carregar. A bagagem quase sobrecarrega, e a mente dói de tanta informação para processar. Entretanto, o mais complicado é o peso do pobre coração viajero. Ele sente falta, ele se angustia, ele quer o presente eterno, ele escolheu essas pessoas a dedo e não consegue lidar com esse longe que teima em chegar sempre, a cada viagem, a cada história, a cada despedida. E vejam bem, eu nem pude falar em saudade, porque aí a mão treme no teclado e trava.

É a minha escolha, porque essa sou eu. Nessas histórias, nas esquinas do mundo e nas esquinas do Bom Fim (ou Rio Branco), eu me liberto completamente. Não preciso olhar para trás, eu só sou, só existo, de forma pura, sem medos, sem pensar na autoestima, sem olhar para o lado. Minha essência autêntica se mostra para essas pessoas especiais que cruzam o meu caminho, aqui ou lá. Elas me tocam e eu me mostro, cheia de falhas, inacabada, mas, de alguma forma, completa.

Completa por cada uma dessas almas que me tocaram, me alimentaram, iluminam minha caminhada, e me dão forças para continuar a eterna viagem. Todas essas, mesmo longe, estão sempre perto.


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

fica, 2013.

eu realmente não quero que esse ano termine. as implicações e o baque de realidade que vou ter digerir são demais para mim. não quero ter que viver num mundo onde meu maior desejo e a minha maior experiência fazem parte oficialmente do meu passado. não quero ter que viver mais um ano sem esse amor. não quero enfrentar a dura realidade do "acabou" sozinha, mais uma vez. alguma esperança poderia me dar forças nessas horas. mas não a vejo em lugar algum. eu fecho os olhos e não passa. o aperto do coração só aumenta. eu realmente não quero que esse ano termine.

sábado, 7 de setembro de 2013

Tanto conhecimento sem saber nada

Compreender cada gesto. Ler o pensamento pelo jeito que ele fecha os olhos levando a mão ao rosto. O modo como a mão acaricia a recém-chegada barba. Como ele ajeita várias vezes cada cacho do seu cabelo. O modo como caminha apressado. A forma como ele se expressa, a voz e a fala. Cada expressão e gíria, as antigas e as recentes. Os dois, meus favoritos, tipos de sorriso.  Aquele mais tranquilo, cheio de carinho. E o sorriso que é capaz de iluminar o mundo com a sua alegria. A gargalhada irônica e a inesperada. As interjeições e a maneira como se agita quando é surpreendido pela falha alheia. O jeito único de como toca na minha mão. Fecho os olhos e o sinto apertando minhas bochechas. O abraço e a maneira como falava com a voz suave para me agradar. Irritado, respira fundo, abaixa a cabeça e tenta ter calma. Fala alto e nega. Não gosta de ser interrompido. Reconhecer praticamente todas as assinaturas do seu corpo, do seu rosto e do modo como ele me olha e fala. Uma sensação de estar em casa. Em quase um ano, ainda ardo de saudades. Vejo um refúgio, meu lugar seguro e exatamente onde quero estar em cada um desses detalhes. O que dói é saber identificar cada aspecto externo dele junto da angústia da falta de possibilidade de descobrir o que, de fato, se passa lá dentro.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Que frio

Que frio, pensou ela durante toda a tarde. Que frio, que frio, que frio. Lendo as notícias do dia, o coração ia esfriando ainda mais. O mundo está perdido, mesmo. Preconceitos, injustiças e aquela tarde cinza, embalada pela chuva que não parava de cair há quatro dias. Quero meu pijama, minha cama e meu livro, dizia ela, emburrada e com os pés gelados. Seus medos e angústias quase sufocando suas entranhas.
Os detalhes são tudo na sua vida. Naquele momento, cada um deles contribuia para o mau-humor crescente. Segurando o guarda-chuva, era obrigada a tirar as luvas para atender o telefone. Bem capaz, não vou sair da minha rota, é cama e pijamas, deu, que frio. Caminhava a passos largos apesar de suas pernas curtas, cheia de raiva. Pisava em poças e o frio já emanava de dentro, não tinha como piorar.
Parou, olhou para o lado. Que estranho. Resolveu virar a esquina. Mudou o seu caminho, definiu o fim do seu dia. Não entendia muito bem o que estava fazendo. Chegou com a cara amarrada, franzindo as sombrancelhas, negando qualquer tipo de sorriso. Era noite e fazia ainda mais frio. Adentrou o café sem pensar em mudar sua atitude. Azar, tá frio e eu to triste, os médicos acabaram com o meu dia.
Durou uma hora. Um chá, um olhar, um carinho, algumas palavras. Ela se abriu, ela sorriu. Depois de um abraço com o poder de mudar o mundo, caminhando pela praça molhada e pela noite fria, viu seu coração quente de novo. De repente aquele cenário cinza ganhou cores. Os casacões compridos de inverno atestam: parece um filme do Woody Allen.
Uma respiração funda, um cafuné, uma despedida. Em casa, pensativa, sente o peso do seu coração e o calor que emana da felicidade. Os detalhes são tudo na sua vida e virar aquela esquina mudou o seu dia. Quem sabe amanhã, quando sair o sol, não terá medo de mudar seu caminho e virar a esquina, de vez.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Um ano

Hoje faz um ano que cheguei na França. Um ano do começo de um capítulo da minha vida que, mesmo já tendo terminado, vai durar pra sempre. Cheguei no dia 23 de agosto de 2012 na região Rhône-Alpes, que seria a minha casa por 10 meses, uma pessoa bem diferente da que sou hoje. A essência segue a mesma, mas a Bebeth que eu era há um ano já passou. Hoje olho pra trás, relembro com o coração apertado e com lágrimas nos olhos dos momentos, das pessoas, dos lugares e de cada instante dessa vida que vivi no meu terceiro intercâmbio. O maior aprendizado dessa história foi sobre mim mesma. Hoje sou mais feliz, mais confiante, mas certa das minhas prioridades, mais madura. Minhas fraquezas continuam, mas a bagagem que carrego há 23 anos, cada vez mais pesada, me dá forças para seguir em frente dia após dia. Ainda tem muita estrada no meu caminho, muitas histórias para serem contadas, muita coisa para aprender. Mas hoje, revivendo um pouco desse ano que passou, me vejo admirando da janela do meu quarto no Rabot os alpes franceses. Me sinto tranquila mais uma vez, contente e pronta para enfrentar o mundo.

sábado, 29 de junho de 2013

quando alguém te inspira

alguma coisa acende por aqui
não para de piscar
e até incomoda
acorda aquele pedaço de ti
que há muito tempo dormia
parecia que tinha ido embora

e quando acorda
não te deixa em paz
em cada esquina
em cada suspiro
aquele sono mostra
que já ficou pra trás

uns dizem que é poesia
outros chamam só de arte
ao meu ver é puro coração
é dar à alma o que ela queria
e que de mim, sempre fez parte

e quando ele chega
tu respira
e inspira
e cada vez que respira
inspira
e inspira
e inspira

e viver deixa de ser só existir
tudo fica mais leve
a beleza não sai do olhar
a gente para e reflete
depois de tanto tempo
como é que ele consegue?

porque quando alguém te inspira
até tua simples respiração
ilumina

quarta-feira, 26 de junho de 2013

enter

eu gosto de escrever e apertar enter sem pensar
só vai
e foi

é como um abismo, é uma vertigem de palavras

esse sentir

será
sei lá
o que que é isso
essa atração qualquer
esse sentir
esse pensar
essa coisa que persiste
eu não queria
mais confusão
mais desacerto
mais coisas platônicas
pra que misturar
por que esses detalhes
por que importam
ai
ai
onde isso vai
não vejo nada no horizonte
mas dentro de mim
sim
será
sei lá

quinta-feira, 18 de abril de 2013

A nostalgia precoce

A metade do meu intercâmbio chegou e foi embora correndo. Hoje foi o meu último dia de aula na Université Stendhal - Grenoble 3. Agora só mais uma prova e um trabalho e depois, c'est fini. Hoje começou oficialmente o meu último mês capital dos alpes. Num piscar de olhos, em dois meses, estarei de volta a Porto Alegre.

Hoje foi um dia lindo. O sol ainda tá brilhando, são 19h28 agora. Eu acordei super cedo, cheguei suando na faculdade, fui pedalando pela beira do rio sob o sol matutino dessa primavera. Tive minhas duas últimas aulas com o M. Guichard. Hoje, em um dos meus últimos dias no campus, tive mais uma das epifanias que venho tendo desde o início da semana.

Faz 8 meses que eu estou vivendo o meu terceiro intercâmbio, minha quarta grande viagem. Qualquer um poderia imaginar que eu tiraria de letra esse ano na França. Afinal, já aprendi demais, todas as reflexões já foram feitas, não canso de contar minhas experiências e aprendizados. Sim, faz muito tempo que o mundo é meu, que eu sou do mundo. (Agora é a hora em que eu falaria sobre respirar cultura e estudar línguas, mas vou tentar trocar o disco). É verdade que a convivência internacional já não é novidade pra mim - a primeira vez que morei com um estrangeiro foi em 2005, quando uma intercambista americana morou lá em casa, em Bagé - mas nada disso diminui de forma alguma a enormidade e a importância de tudo que eu aprendi nesses quase dois semestres na França. Cada esquina do mundo é única.

Já é possível fazer uma retrospectiva da vida que estou vivendo aqui. Como eu sempre digo, é uma realidade paralela, é um sonho. Ela tem começo, meio e fim. Ontem eu saí da prova e fiquei sentada horas com o Marcel discutindo sobre assuntos polêmicos, nosso prato preferido. Fazia sol, a grama estava fofíssima e a brisa chegava gostosa. Ontem relembramos a gente, na semana do Natal, com -15ºC na Polônia, em Auschwitz, no dia mais cinza da minha vida. Eu não sentia meus pés, o coração tava apertado, o vento cortava o rosto. Lembro também de setembro, do exato momento quando mergulhei no Mediterrâneo pela primeira vez, junto da Natasha e da Marcela. Ou então, talvez o momento mais esperado da minha vida, a primeira vez que eu vi a Torre Eiffel - símbolo concreto da realização de um sonho -, com certeza a melhor experência que eu já tive na companhia de franceses. A primeira vez que vi a vista da minha janela aqui na minha casa na montanha. As randonnées, a neve, o calor, as festas, a Mari, a Lu, a Cíntia, os colombianos, a Bastilha, o Campus, a Ouest, a bicicleta, o tram, a place Grenette, a Victor Hugo, os sorteves, os crepes, o London Pub, as viagens, os lugares, as pessoas, os meus vizinhos, as comidas que eu preparei, as risadas, os prazeres, a dor, o choro, a alegria, as nuvens, a subida do Rabot, o Casino Gèant, os olhares, os momentos e as lembranças.

É impossível colocar em palavras tudo o que se sente durante uma experiência desse tipo. Só quem vive essa adrenalida e essa intensidade consegue imaginar. Até hoje estou esperando a coragem para escrever verdadeiramente sobre os Estados Unidos, sobre a América Latina e sobre a Grécia. Com certeza nunca conseguirei definir Grenoble também. As dúvidas são inevitáveis. Será que eu fiz certo? E se não tivesse sido assim? Mas a certeza é uma só: tinha que ter sido assim, essa é a minha experiência, esse foi o meu ano.

Foi difícil? Com certeza. E é por causa dessas dificuldades que hoje eu sou mais forte que ontem, estou mais madura e me conheço melhor. A melhor reflexão desse intercâmbio foi descobrir que a minha essência de quando eu comecei a estudar inglês com 6 anos, de quando eu fui para os Estados Unidos com 16 e hoje aqui, com 23 anos na cara, é exatamente a mesma. Mais velha, mais madura, mais inteligente, mais gorda, mas a mesma.

Eu já passei por isso, a despedida, duas vezes. Sobrevivi. Sei que vou sobreviver a minha partida de Grenoble. Tenho ainda um mês aqui para aproveitar tudo dessa cidade maravilhosa. Grenoble é incrível em todos os aspectos, mas outra hora eu explico o porquê. O que, infelizmente, eu não posso evitar é esse constante aperto no coração, essa nostalgia precoce, essa vontade insurportável de reviver os melhores momentos e estar perto das melhores pessoas. Foi, e está sendo, um ano mágico. Com certeza um dos melhores da minha vida.

Esse capítulo grenobloise vai terminar e minha vida vai seguir seu curso. Mesmo não conseguindo nunca definir o que esse ano significou, Grenoble vai estar sempre dentro de mim, nas minhas qualidades e nas melhores lembranças desse mundo.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

17 de janeiro


sério, hoje foi um dos dias mais lindos em grenoble. a neve não parou de cair, mesmo com céu azul e com sol. desci o rabot pensando em coisas boas e vendo os flocos dançando com o vento, demorando a cair, pousando de leve no chão e derretendo rápido. ou parando tranquilos no meu casaco e no meu cabelo. ficar só olhando cada floco, cada um desenhadinho de um jeito, tão pequenos, tão lindos, tão branquinhos, tão leves, tão perfeitos. como pode esses cristaizinhos cairem lá do céu e chegarem aqui sendo tão lindos? e todos eles juntos ainda por cima nos dão essa paisagem branca e reconfortante que é única. eu podeira passar horas e horas só vendo a neve cair. é magia sim, cada floco é um pedacinho de mágica que cai do céu.
 
 
 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Uma tarde de sol no inverno francês

O tempo muda rápido nas montanhas e o inverno é rigoroso. O vento sopra forte e mesmo assim as nuvens passeiam, na maioria das vezes, sem pressa. Em meio ao inverno majoritariamente branco nos alpes franceses é possível encontrar o sol em dias inesperados como hoje. Numa tarde de terça-feira ensolarada, até, quiçá, quente, aos olhos dos velhos acostumados à vida nas montanhas geladas, as pessoas tomam conta as ruas. No meio da semana tu poderias imaginar que eles estariam trabalhando, tendo aulas, cuidando dos seus afazeres. Mas os cafés em Grenoble, capital do departamento de Isère, na região Rhône-Alpes, na França, estão lotados. As mesas invadem as calçadas e pessoas de todas as idades estão por lá, caminhando no centro, no campus universitário e no bairro vizinho. Eu desço do tram na parada de nome mais gostoso da cidade: "Hubert Dubedout - Maison du Turisme" imersa em meus fones de ouvido tentando compreender as palavras em catalão cantadas numa música qualquer no meu celular. Chego na Place Grenette. O meu olhar sobe e de repente não estou mais imersa em meu mundo. Vejo uma tarde de sol no inverno francês. Um homem nos seus vinte e tantos anos lê um livro, com uma cerveja numa mesa logo na minha frente. Ao lado uma moça coloca os óculos de sol e acende um cigarro, conversando com a amiga. Atrás dois velhinhos discutem sobre algum assunto qualquer, logo ali um homem lê o jornal comprenetrado enquanto uma mãe brinca com sua criança que corre por entre as mesas. A senhora passeia com o seu cachorrinho e o cachorrão do hippie meio morador de rua parece que presta atenção na música que sai do violão do seu humano. O casal passeia de mãos dadas. Mãe e filha olham vitrines. Pessoas esperando o tram, tomando café, comendo um crepe. Eu sigo. Na esquina o som da gaita traz saudades de Paris. A fonte no centro da praça está seca, os adolescentes encostados nela estão fixados no celular. Os prédios em torno da praça, de arquitetura tradicionalmente francesa, que mesmo em seis meses ainda enchem os meus olhos, completam a paisagem. É como um daqueles quadros retratando o cotidiano europeu que nos faz ficar horas divagando e imaginando como deveria ser. Em seis meses essa cidadezinha nos alpes virou minha casa, dona do meu cotidiano, um verdadeiro lar durante essa incessante busca por auto-conhecimento. E ainda assim, da mesma forma que meu coração acelera cada vez que abro a janela pela manhã e me deparo com as montanhas brancas e a cidade amanhecendo lá embaixo, em inúmeros pequenos momentos, como o dessa tarde, me pego estarrecida, sem ainda acreditar verdadeiramente que estou vivendo num cenário saído direto do meu mais querido sonho.



"(...)I estirat, pensant això,
sé que no puc triar-on vaig,
però m'il·lusiono els dematins.
Jo només puc fer el que faig.

Sembla que tot s'ha mogut
i que tornarà a ser maig.
Jo només faig el que puc.
Jo només puc fer el que faig.

Intentant entendre'm més.
Repassant el que he viscut.
Sé que no tot ha estat bé.
Jo només faig el que puc."

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Delírios sóbrios de uma volta pra casa



            A língua emana traços insólitos de pensamentos não desenvolvidos. A mente divaga sobre as histórias nunca contadas, escritas em um livro sem prefácio nem epílogo. Lembranças escondidas em um emaranhado de opiniões, críticas e expressões mal-acabadas. Contos e mais contos alimentados, durante anos, por resquícios de antigos desejos. Desejos esses ainda latentes, vivos em cada personagem retratado dentro dessa biblioteca de ideias.
            A ponta do lápis encosta no papel, e os filhos paridos pela insana imaginação ainda ingênua da moça dos olhos castanhos saltam como coelhos apressados tentando não perder a hora do chá. São mãos, bocas, sonhos, passos perdidos e olhares encontrados misturados ao ritmo quente da valsa que tocava na noite passada.
            Acordada dentro de um sonho ela sublinha as possibilidades, e reflete sem qualquer lucidez sobre os desdobramentos dessa história. É uma dança surda que nem o próprio rei coração, retorcido entre seus átrios e ventrículos, - regente superior desse universo sem era nem beira -, alcança a compreensão.
            Por vezes é como se todas as vontades já sentidas por aqueles olhos atacassem de uma só vez a biblioteca numa explosão de sentimentos sem semelhante. Ela não cansa, mas está exausta. Cada janta, ligação, passeio na lua, volta de balão e subida de montanha suga parte de seus suspiros, acabando por deixá-la sem forças diante das enormes vontades de uma vida inteira.
            Olhar para o céu já não mais basta. É preciso que o mar, a terra, a água, o fogo, a folha que caiu daquela árvore naquele dia em Barcelona, o sopro do vento entre os prédios e o toque suave dos amantes no banco da praça central se unifiquem e, juntos, façam, de alguma forma, sentido. Onde foi parar o sentido descrito naquele parágrafo?
Antes as coisas pareciam tão fáceis. Nessa biblioteca-mundo nem sempre os personagens tem voz. Os olhos castanhos machucam e procuram abrigo no país vizinho. Essa aventura danada alguns por aí teimam em chamar de vida. Vida, cabeça, tacos de Lyon, nuvem amarela, qual é a diferença? Enquanto o lápis toca o papel, os pássaros voam cada vez mais longe, vão diminuindo no horizonte até se tornarem míseros pontinhos que dói só de olhar.
            

            A língua emana traços insólitos de pensamentos não desenvolvidos. Os olhos castanhos miran lejos. E a paixão lê, com calma, cada linha em cada esquina dessa história de um lado só.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Como é?

"é como finalmente descobrir que não se pode viver sem oxigênio, é o arrepio da pluma passeando pela pele, é andar pelas nuvens de moto à 250 km/h, é como a vertigem na beira do precipício, é como chegar ao topo da montanha e tocar na neve fresca, é como o poder de abraçar o mundo, é como flutuar lépida no mediterrâneo, é como a mais pura adrenalina, é como um terremoto, é como a força da água nas pedras dos molhes da barra, é como encontrar sombra na imensidão do deserto, é como ser a própria borboleta dentro do estômago, é como se não existisse nenhuma outra pessoa no mundo, é como se aquele momento fosse uma vida inteira, é como se aquela troca fosse a única sensação possível, é como correr para escapar de uma explosão, é viver essa explosão, é se deixar levar completamente, é o carinho de um urso, é poder voar como um pássaro, é saltar de asa-delta, é a sensação do maior prazer existente, é como se a vontade estivesse tatuada na pele, em cada esquina e em cada centímetro, é como um êxtase infinito, é o desejo na sua forma mais bruta e mais pura."

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sobre Paris

com um mês de atraso, mas merece ficar registrado:

Eu vi o túmulo do Alexandre Dumas. Eu comi foie gras. Eu vi "A Liberdade guiando o povo". Eu vi o túmulo do Allan Kardec. Eu fui onde morava a Maria Antonieta. Eu comi escargot. Eu fui no castelo de Seráfia. Eu subi na Torre Eiffel. Eu vi o código de Hamurabi. Eu vi o "Quarto em Arles". Eu comi créme brulée. Eu sentei e fiz piqueniques em lugares simplesmente fantásticos, cenários de quadros, filmes e livros reais, e da minha imaginação. Eu vi uma amiga que eu não via há 10 anos. Eu passeei na beira do Sena. Eu toquei nas pirâmides do Louvre. Eu fui na Rue Mouffetard. Eu conheci pessoas muito especiais. Eu vi as gárgulas de Notre-Dame. Eu comi crepe de nutella numa esquina simpática qualquer. Mais de uma vez. Eu fui no jardim de Monet. Eu apreciei e refleti em cada momento, cada esquina, cada imagem incrível. E mais, bem mais. Lá se foram os meus primeiros 10 dias em Paris. Eu to muito cansada, vou voltar pra Grenoble ainda mais cansada do que antes. Mas acabei de viver 10 dias inesquecíveis e realizei milhares de pequenos sonhos, to feliz. Obrigada, família, amigos, mãe, pai, papai do céu e vida. Eu conheci Paris e fiz, vi e vivi TUDO que eu queria. :)

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Les 3 mois

Hoje completo 3 meses de França, quase 3 meses de Grenoble. Numa segunda-feira, 27 de novembro de 2006, eu escrevi sobre os meus primeiros 3 meses no meu intercâmbio nos Estados Unidos. Lendo aquele texto me vejo com 16 anos, cometendo ainda mais erros gramaticais que hoje, jovem, imatura em diversos aspectos, mas com pensamentos que formam quem eu sou até hoje. Hoje, madrugada do dia 23 de novembro de 2012, 6 anos depois, lendo aquele texto, vejo como mudei, como cresci, como amadureci mas, principalmente, como sigo sentindo as mesmas coisas e sendo completamente a mesma pessoa. Aquelas primeiras impressões da minha primeira grande viagem internacional forjaram muito do que eu sou hoje. Fico com o coração quente e confortável em pensar como a Bebeth de 16 anos ficaria feliz em saber que, 6 anos depois, eu/ela estaria vivendo algo ainda mais intenso e enriquecedor como o intercâmbio nos Estados Unidos. As pessoas me perguntam porque quero ficar. Ora, os motivos são intermináveis. Sentada na minha cama na frente do computador, hoje lembro e penso em tudo que vivi nesses 3 meses. Tudo que conheci, tudo que senti, todas as pessoas que conheci, lugares que visitei, momentos inesquecíveis que passei, sentimentos com uma intensidade incrível que senti, tudo que eu aprendi, todas as histórias que vivi e tudo que ainda vou aprender e todas as histórias que ainda vou viver. O coração acelera, bate mais forte, o corpo fica quente, a gente fica mais leve. Com certeza não é fácil. É a primeira vez que estou morando sozinha, tendo que me virar pra limpar a casa, lavar roupa, cozinhar e fazer sobrar mês no fim do dinheiro. Francês não é inglês e as aulas não são fáceis. Sou obrigada a ser responsável sozinha, a estudar, a manter meus horários, a cumprir minhas obrigações sem a Rosa Maria gritando "ANA ELIZABETH, TROCA O LENÇOL DA TUA CAMA!!" Estou vivendo pela primeira vez sem a ajuda da minha mãe e nenhuma outra mãe (Kim e Joanne, amo vocês). Eu inventei de estudar latim e alemão EM FRANCÊS. Eu subo uma montanha todos os dias. Eu já morri de rir, já sofri, já chorei, já fiquei bêbada, já gostei demais, já odiei, já pensei duas vezes, já não pensei, já vibrei, já me irritei, já fui a pessoa mais triste do mundo e, o melhor, já me senti a pessoa mais feliz do mundo, diversas, diversas vezes. Como eu falo da Grécia, isso que eu estou vivendo é um sonho. Não é só a realização de um sonho, mas é literalmente um sonho. Uma vida onde tudo é novidade, onde tu aprende EM CADA SEGUNDO que tu vive, onde tu não cansa nunca, onde tudo vale a pena, onde o frio na barriga é uma sensação constante, onde cada passo é um desafio, onde não existe tempo para ficar entediada, onde se respira cultura, onde cada pequena conquista tem o sabor da melhor vitória, onde a intensidade reina e faz esses 3 meses entrarem na lista dos melhores meses da minha vida. Estou em constante evolução pessoal. Já disse por aqui várias vezes que a única certeza que nutro na alma é a possibilidade de sempre, sempre aprender. A diferença é que em Porto Alegre, ou em Bagé, eu levo uma certa quantidade de tempo para aprender uma determinada parcela de alguma coisa qualquer. Numa viagem, num intercâmbio, numa experiência dessa intensidade, esse tempo é reduzido MUITAS, MUITAS VEZES. A cabeça dói de tanta informação, tanta reflexão, tanto pensamento passeando na tua mente. Não é fácil, mesmo. A saudade dói, penso todos os dias nos meus sobrinhos, na minha família, sinto muita falta das minhas amigas, de comer um sushi, de estar perto da minha mãe e dos meus irmãos. Mas eu sei que todos que eu amo estão felizes por me verem realizada por aqui. E, de alguma forma muito estranha, sei que vivendo e aproveitando cada segundo dessa etapa da minha vida, ela está me dando muitas respostas que vão me ajudar nas minhas próximas caminhadas. Hoje, lendo nesse blog um texto de 6 anos atrás, me pergunto onde eu estarei em 2018... e tenho borboletas no estômago e uma sensação muito boa. Que venham os próximos meses!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Mes chers voisins

Um dia eu preciso sentar e colocar pra fora todas as minhas reflexões sobre o termo "vizinhança". Uma das coisas mais interessantes que eu to vivendo aqui em Grenoble é morar numa residência universitária. Ao mesmo tempo que moro sozinha, eu divido cozinha, banheiro, biblioteca e lavanderia com outras sei lá quantas centenas de pessoas. É uma coisa muito diferente. É como nunca estar verdadeiramente sozinho. Sempre tem alguém batendo na tua porta, te oferecendo comida, perguntando como foi o teu dia no corredor, te convidando pra fazer alguma coisa. De manhã cedo, quando tu sai pra ir no banheiro com AQUELA cara, tu encontra um vizinho com a cara pior ainda. Ainda mais interessante é essa vizinhança ser completamente internacional. Tem de tudo. Tem os chineses que moram, mesmo, na cozinha, e, estão, incrivelmente, em todos os andares. Tem os ingleses do segundo andar. Tem os mexicanos e os colombianos do primeiro andar. Tem os holandeses do quarto andar. Os europeus (alemães, holandeses, húngaros, gregos, etc) do terceiro andar. Os Backstreet Boys do quinto andar.... e por aí vai. Aqui no meu andar (e no 3º) tem algumas das minhas melhores amigas de Grenoble. Sabe como é bom tu acordar, colocar a pantufa e bater no quarto da tua amiga, pegar as coisas e ir pra cozinha ficar fofocando durante todo o almoço? Ou na segunda-feira, dia de marcar pra lavar roupa, onde o prédio inteiro toma as escadas e fica conversando na fila. Ou na quarta-feira, ir pro foyer com os vizinhos só pra jogar um pouco de sinuca ou de babyfoot. Ou na sexta, depois que o foyer fecha, que tu vê grupos de pessoas caminhando pelos corredores procurando um after-party numa chambre qualquer.. Tu escuta no mínimo  4 idiomas por dia (português, francês, inglês e provavelmente espanhol, alguma língua asiática ou germânica...). O pessoal combina de fazer crepe no domingo e a cozinha no primeiro andar fica lotada. O pessoal vai fazer festa no quarto do colombiano e viram a cama e transformam o lugar numa boate. Tu termina a noite falando sei lá qual idioma no terraço morrendo de frio. Tu faz amigos lavando roupa. Tu sobe a montanha sempre com alguém diferente. Quando tu tá afim de bater um papo, é só deixar a porta do quarto aberta que aparece alguém. Pra conversar, pra cozinhar, pra ver um filme, pra te escutar, pra te fazer te sentir menos distante de casa. Sério, os melhores amigos que fiz aqui em Grenoble são os meus vizinhos, eu tenho muita sorte e sou muito feliz por isso.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

"a cidade precisa de um espaço de afeto"

Nunca me senti confortável em me posicionar politicamente, principalmente quando fui morar em Porto Alegre. Cresci numa pequena cidade, enraizada nos pensamentos antigos e nos mitos de outrora. Meus pensamentos eram completamente apegados a uma só visão, um só partido. Por sorte, estudo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e, no auge dos meus 20 e poucos anos, já vivi e vi muita coisa na vida. Minha bagagem - ouso afirmar, é grande e pesada. Em 5 anos morando na capital do meu estado pude aprender mais do que nos 16 anos vividos na pacata e provinciana Bagé - que, por mais alienada e repleta de opiniões mal elaboradas que seja -, eu ainda nutro um carinho enorme.
A Universidade de decepcionou de diferentes maneiras. Mas, de qualquer forma, ela me deu o presente mais importante para a minha evolução: a possibilidade de ver o mundo com a mente e coração abertos. Em 3 anos de UFRGS, conversei, escutei, refleti, imaginei, pensei, parei para observar tudo o que se passava ao meu redor, e não só o que acontecia na província. Eu viajei, eu cresci, eu aprendi e, eu mudei. Hoje ainda não quero estar presa no eterno mundo dualista direto e esquerdo. Mas sei onde me encontro e onde quero estar.
Estou junto dos meus amigos que, indignados e sem mais paciência de assistir sentados frente à televisão os acontecimentos do mundo, resolveram colocar a mão na massa. Tenho, junto com eles, uma publicação independente. Feita completamente sem recursos, sem dinheiro, ela mal consegue sobreviver. Mas ela vive, há mais de um ano, com paixão, com orgulho, com luta, com a ajuda das histórias que precisam ser contadas, com as lições do passado, com o questionamento dos dias atuais, com a eterna reflexão das circunstâncias e com o sonho querido de fazer um jornalismo baseado na verdade e na verdade do povo, perto das pessoas como a gente, longe de toda opressão das organizações que beneficiam somente alguns poucos privilegiados.
Nunca pensei que iria precisar parar e escrever sobre esse assunto. Hoje estou longe de Porto Alegre, mas o que está acontecendo lá me afeta completamente. Quem me conhece, sabe. Eu respiro cultura, em todos os sentidos. Já nem sei quantas vezes escrevi essa frase. Aprender línguas, conhecer pessoas diferentes, apreciar a arte, viver experiências que valham a pena e que as minhas histórias possam tocar as outras pessoas, isso é o principal na minha existência.
Hoje vejo Porto Alegre, a cidade que me recebeu de braços abertos e me ajudou a evoluir tanto, machucada. A cidade, tão ativa culturalmente, está sendo afastada da sua forma mais pura da cultura, a do povo. Demorei muito para aprender o real significado dessa palavra, povo, até, finalmente, eu me dar conta que eu também sou o povo. Então hoje me sinto responsável por mim mesma, e pelos meus irmãos, todos sendo afetados pelos últimos acontecimentos em Porto Alegre.
Ontem o povo votou. A maioria segue enraizada nos princípios arcáicos das grandes organizações e com o eterno medo de mudar. Mas eu não escrevi até aqui para falar sobre isso.
Semana passada o povo resistiu em Porto Alegre. Esse vídeo em anexo mostra um pouco do que está acontecendo na cidade. É estranha essa ironia de que nos piores momentos, nascem as melhores iniciativas. A resistência a favor da cultura livre vive em Porto Alegre, e cresce a cada dia.
Sinto muito orgulho de ver a vontade de mudança aumentar nos coletivos, nas manifestações, nas iniciativas independentes como a Defesa Pública da Alegria, como o Jornal Tabaré, como o Cidade Baixa em Alta e tantos outros. Sinto orgulho de estar fazendo parte disso, com a Revista Bastião. Fico ainda mais feliz pessoalmente, de me ver refletindo sobre todos esses aspectos e sentir que, apesar do longo caminho que ainda preciso traçar, e todas as coisas que ainda preciso aprender, continuo evoluindo e aprendendo constantemente. (Obrigada amigos e todos aqueles que me fazem pensar.)

Apesar dos resultados das eleições, Porto Alegre ainda respira, ainda encontra esperança na expressão cultural mais pura, mais alegre, mais poderosa que existe, a alegria.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

ne pas oublier

coisas que eu não posso esquecer de escrever sobre:

- como eu amo a minha montanha

- como é bom o sentimento de se sentir confy em casa, like home, mesmo

- como pode as pessoas federem tanto

- como é fácil latim

- como é interessante refletir e ver que eu julgo demais

- como é bom conhecer pessoas novas

- como é divertido fugir de brasileiros, rs

- como é bom aprender de verdade

- como é bom estudar em grenoble

- como é viver num lugar com banheiro turco (SIM)

- como pode a língua francesa ficar cada dia mais bonita

- como a frança realmente nunca vai ser a grécia

- como eu amo a grécia de um jeito que eu nunca imaginei que poderia amar um lugar, uma cultura

- como eu vivo constantemente comparando os povos

- como é bom estudar linguística

- como é bom notar e refletir (mesmo no terceiro intercâmbio) sobre as diferenças e semelhanças entre os povos

- como é bom ver que na verdade, mais do que nacionalidades, cada pessoa é uma pessoa

- como é ridículo que as pessoas conseguem sujar TANTO e na CARA DURA um banheiro compartilhado

- sério, como conseguem?

- como eu queria que os asiáticos se integrassem mais

- como eu sou feliz comigo mesma

- como eu amo o meu quarto

- como eu to feliz

- como eu to com saudade de ver seriados

- como eu penso todos os segundos nos meus sobrinhos

- como é bom estudar línguas

- como eu queria uma bicicleta

- como eu sou preguiçosa

- como eu adoro minhas novas(os) amigas(os)

- como a vida é boa

- como é bom realizar sonhos

- como é bom viver um sonho

- como é bom sonhar

domingo, 2 de setembro de 2012

Certains faits françaises

Donc, voilá! Estou na França. Nesses últimos 11 dias venho observando várias coisas. Não tive o tempo suficiente para anotar tudo que se passa na minha cabeça, mas alguns pequenos fatos ficaram marcados.

-Lyon é demais. A terceira maior cidade da França, que possui ruínas romanas e costumava ser a capital da antiga Gália, marcou com chave de ouro o início de mais uma história na minha vida. Ela é cortada por dois rios enormes, o Rhône (que dá nome a região Rhône-Alpes) e o Saône (a pronúncia é Sône). Os dois possuem margens de deixar o Puerto Madero com ciúmes. Tudo arborizado, lindo, limpo, com ciclovias, passagem para pedestres, bares, feiras e coisas boas. A cidade possui um sistema impecável de aluguel de bicicletas. Andamos por tudo lá só de bici. Super prático e delicioso. Em cada esquina ou margem de Lyon, a vista era de tirar o fôlego, especialmente no topo da colina onde fica a Basilique Notre Dame de Fourvière, talvez a atração principal da cidade. Ao pé da colina fica a Vieux Lyon, com suas ruelas apertadas e seus bares abarrotados de turistas, o que não deixa de ser uma coisa boa.

-Foi a primeira vez que fiquei tantos dias num hostel, foram 7 noites. O nosso Cool & Bed hotel for backpackers nos recebeu muito bem. O lugar era muito limpo, moderno e legal. Os hóspedes também. Tivemos a sorte de estar em Lyon durante uma super mega ultra conferência internacional de educação em medicina, então acabamos conhecendo vários estudantes que são médicos. Em especial nossos queridos amigos slovenos. Eram 3 estudantes da segunda maior universidade do país (que só tem duas). Inteligentes e super engraçados, as conversas com eles me relembraram de uma das melhores coisas de um intercâmbio: o intercâmbio. Aquelas conversas onde tu ri e aprende muito, onde tu conhece mais sobre um país que tu nunca tinha parado pra pensar, onde tu reflete sobre o teu próprio país, onde tu busca respostas para perguntas que tu nem imagina que poderiam existir, onde a troca de experiências é como fogos de artifício onde tem muita coisa pra captar, aprender e compartilhar. Show de bola. Conversa interessante assim também tivemos com nossa outra querida amiga de Barcelona, bem catalã e hipster assumida, Rosa. E graças a Conferência, também encontramos um gaúcho de Porto Alegre para nos lembrar um pouco das boas pessoas de POA. Lá também encontramos canadenses, um australiano, um turco, americanos and so on.

-Infelizmente e para o meu eterno prazer, falamos muito em inglês por lá. A maioria dos estrangeiros não falava muito bem francês, então sempre acabávamos na língua universal. Eu amo o francês, mas não adianta, não há nada como se expressar em inglês. Em compensação, me virei bem no francês, eu acho. Conseguia entender 97% das frases, só na hora de responder eu me atrapalhava toda (ainda me atrapalho).

-Achei os franceses muito educados. Nenhum nos negou informação alguma. Penso que o fato de sempre nos dirigirmos a eles em francês ajudou bastante. Em Lyon, pelo menos, não conheci nenhum francês muito fedorento. Os franceses carregam seus bebês de formas muito interessantes. Quase não se vê carrinho regular de crianças por aqui. Os pais carregam seus filhotes em bolsas nas costas, no peito, na cintura... em tudo que é lugar. O mais divertido é que, impressionantemente, não vi nenhum bebê chorando enquanto passeavam nessas estranhas posições. Todos iam muito tranquilos montados nos seus pais, coisas mais bonitinhas. Imagino minha irmã carregando meu sobrinho Henrique numa bolsa embaixo do braço, risos.

-Convivendo com o Marcel e a Natasha, marinheiros de primeira viagem em viagens longas (risos), pude refletir muito sobre as minhas experiências. Ver no olhar dos meus amigos a descoberta do início de uma vida de intercambista, com toda cultura, felicidade e aprendizado que só um intercâmbio pode proporcionar, foi show de bola. Vi nascer neles o encanto que a troca de experiências proporciona e vi que essa sensação única que só um intercambista, ou um viajante sente, é a mesma (apesar de única em cada momento) não importa quantas vezes se faça isso.

-Hoje foi (já) o meu quarto dia em Grenoble. Tenho MUITA coisa a dizer sobre as primeiras impressões da minha nova vida francesa em Gre. Mas agora to cansada, fica pra amanhã (ou depois).

terça-feira, 31 de julho de 2012

Terminou

Bom, chegou a hora.

Hoje foi meu último dia aqui na Rádio. Eu queria agradecer a todos vocês por terem feito da minha experiência aqui algo tão especial e importante. Eu aprendi muito aqui e tenho certeza que evoluí muito como profissional e como pessoa. Mas, o principal presente que a Gaúcha me deu vai muito além disso. É impossível descrever a felicidade que eu sinto de poder ter convivido com pessoas tão bacanas, especiais e ótimos profissionais como vocês. Pessoas que me ajudaram, que riram comigo, que me ensinaram coisas, que viraram meus amigos. O pessoal do turno da manhã, que mesmo eu só indo às vezes, eram sempre muito atenciosos com o site e comigo. O pessoal do turno da tarde, onde passei a maior parte do tempo e aprendi muito, da mesma forma. O pessoal do turno da noite, mais tranquilo, com as jantas e pedindo comida, rs. O pessoal do esporte, que eu guardo um carinho muito especial, sempre me trataram super bem e normalmente fazendo a gravação do pré-jogo ou jogo rápido ser a parte mais divertida do dia. As gurias da recepção, sempre nos recebendo com carinho. O pessoal da técnica e dos outros setores que troquei muitos emails também. E, principalmente, a minha pequena grande equipe do site. Michelle, Natália, Gabriela (e agora o Nélio): escrevi já no relatório, mas digo de novo: vocês são demais, eu desejo todas as melhores coisas do mundo pra vocês e pro nosso querido site, sou muito feliz por ter passado todo esse tempo com vocês! Obrigada por tudo!!!!

ENFIM, eu sou uma pessoa muito emotiva e dou muito valor às pequenas coisas. Além de ter podido trabalhar na maior e melhor rádio do RS, com super feras do jornalismo, eu conheci pessoas e histórias muito especiais, que me fizeram muito bem. Sou muito grata a todos vocês por isso e desejo a vocês tudo de melhor na vida e no trabalho.

A maioria do pessoal ja sabe, mas estou saindo para ir morar um tempo na França, estudar lá. Quem me conhece sabe como isso me deixa feliz. Saio daqui com o coração apertado mas pronta para uma nova etapa da vida. Venham me visitar! :)

Mais uma vez, obrigado a todos, TODOS vocês!!!!! E desculpem qualquer coisa!

Espero que esse email seja mesmo somente um até logo e que a gente se encontre de novo por aí (ou por aqui)!

Beijos com carinho da Ana de Bagé <3