Pensaleiro. Escrever poesia. Poetizar a escrita. Pensar ideias. Idealizar pensamentos. Pensaria.
Aquele sentimento que é a plenitude da beleza, que completa totalmente a alma. Ápice do deleite.
Além da felicidade, apogeu. Íntimo, único e lírico. Máximo, lépido e épico. Eu quero.
Além da felicidade, apogeu. Íntimo, único e lírico. Máximo, lépido e épico. Eu quero.
domingo, 19 de outubro de 2014
Doendo
Das dores: O momento em que aceitas o peso inevitável da realidade e derramas a primeira lágrima de um sentimento não correspondido.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
salacidades amenas
Banho
Leitura
Céu
Ambiente
Essa semana eu pareço estar transpirando inspiração e
inspirando a piração. Existem épocas que eu pego todo esse sentimento que sou e
resolvo aceitá-lo, deixo ele me absorver por inteira, como teria que ser
normalmente – creio eu, e me sinto meio completa assim, não sendo, mas só sentindo.
Sentido?
Essa semana eu também estou exalando libido. Como não pretendo
escrever aqui meus sonhos molhados, gostaria de discorrer sobre algumas
situações que me dão um prazer quase tão deleitoso quanto o lascivo.
Banho, leitura, céu e ambiente.
O momento em que abro a porta do boxe, dou um passo e vou
para baixo do chuveiro. Sinto a água
quente atingindo primeiro os cabelos, em seguida esses, molhados, encostam nas
minhas costas que se arrepiam de uma forma formosa. A água quente vai me tocando
aos poucos e aos muitos, e o vapor toma conta do boxe. Eu fecho os olhos e deixo
a água escorrer enquanto a sensação relaxante invade até por dentro.
O momento em que começo uma leitura de algo que toca e que
faz refletir. Começo lendo palavra por palavra, que logo se tornam frases e o seus
sentidos fazem tanto sentido na minha alma que a leitura vira sensitiva. Vou
lendo, ao meu ritmo, como se fosse uma masturbação, mais rápido, mais devagar,
esperando o momento certo para o desfecho da poesia, do conto, do texto ou da
análise. Sinto o corpo arrepiar, bem ali na nuca, e as cócegas, que chamam de mariposas,
aqui dentro, enquanto vou mergulhando nas palavras que perturbam, afligem e
deleitam a minha mísera existência que é afeição.
O momento em que piso fora do prédio e o horário é o fim de
tarde. Quando o céu deixa Porto Alegre com um tom alaranjado meio amarelo meio
amor que toma conta do ar. O amarelo a gente sente ao respirar. O clima é
ameno, tem vento, pois ele toca. A brisa suave balança o vestido e os pássaros
cantam no Bom Fim. Respiro fundo e sinto, mais uma vez, o arrepio dentro e
fora. Tranquilidade e prazer explícito em existir e sentir. Viro meu rosto e
tem a lua cheia nascendo no horizonte, me fitando, irmã, regente máxima das minhas marés.
O momento em que escrevo esse texto. Ou que realizo qualquer
atividade que possa ser considerada banal durante o meu dia e escuto uma música
que abala de alguma forma a realidade vigente. Sinto a voz, o ritmo e a
cadência das notas musicais de que nada entendo, mas que parecem me decifrar completa
e totalmente. As melodias dançam com os pelinhos de cada aresta do meu corpo e apoderam-se do meu presente. A palpitação é arrebatadora, mas doce.
sábado, 20 de setembro de 2014
O paradoxo B - tentativa frustrada de aclarar o algaraviado
"Escreve com um pseudônimo e publica", ele me disse frente à impublicabilidade das minhas histórias. O desafio era me despedaçar aos poucos ao escrever com essa máscara, que, na realidade, serviria para colocar para fora minha essência, aquela tão verdadeira que chega a ser impublicável. Foi aí que surgiu o "paradoxo B".
Primeiro, deixa eu contextualizar. Eu sou eternamente apaixonada pelo poeta, aqui representando qualquer criatura que possua o dom de se expressar, ou como dizem, que entenda os paranauês da alma. As palavras me afetam mais que um carinho na nuca, quando eu leio algo que me abala de verdade, eu perco o meu chão. É que eu sou intensa.
Bom, ele escreve. E eu lia ele. Ele entrava fundo na minha alma enquanto ia formando as frases fatais daqueles textos, sem nem imaginar a possibilidade da minha existência. Ele era uma das coisas que acendia os pedacinhos de intensidade do meu interior com as suas expressões. Ele era uma coisa, um ente.
Mas um dia, até hoje ainda não entendi como, a entidade virou pessoa, virou conversa, virou conexão. Eu tive que começar a lidar diretamente com a criatura que me dava labirintite. Do nada, mesmo, eu tava tentando me expressar para aquela entidade expressante que jogava expressões no ar e elas caiam dentro de mim com um peso matador. Ele virou um "ele", virou alguém. Eu tava tendo conversas com aquela cabeça, com aquela mente e com aquele coração, os mesmos que descreviam um mundo que eu já via um pouco como meu.
Um dia, tentando explicar, eu disse, meio ingênua: "Tu escreve muito bem. Eu poderia dizer que as tuas palavras me tocam. Mas o que eu sinto é um pouco mais que isso. É como se eu bebesse tuas palavras e fosse contaminada e elas tivessem correndo ou passeando dentro do meu sangue. Eu sinto um pouco mais que um toque. Eu sinto uma infecção. Porque, eu como leitora, sentei e escolhi ler o texto como se tu tivesse falando comigo. E falou."
De repente eu comecei a me expressar, a me abrir, a buscar alguma forma de coexistir com essa entidade como se fosse uma pessoa qualquer. E, aparentemente, ele é uma pessoa qualquer. Ele fala gírias, ele tem um olhar que dá vontade de mergulhar dentro e ele me manda ler bula de remédio tarja preta, quando se cansa de mim.
A partir daí as coisas aqui dentro começaram a dançar, para cima e para baixo, vários lugares acendiam e apagavam. Os pés batiam no chão enquanto a mente me dava ainda mais dor de cabeça. A labirintite adquiriu novos sintomas, acabou virando um caso para o doutor House. É que eu sou intensa.
Ele me assusta enquanto os registros dele me inspiram. Me desafia a escrever um texto, para que o façamos juntos. E então, eu defino o paradoxo:
Como qualquer palavra que eu possa digitar aqui vai ser boa o suficiente para a imensidão que é a escrita dentro dele? Como vou me abrir completamente em um texto com pseudônimo, enquanto a banda que ele me mostrou é a trilha sonora dos pensamentos mais cabeludos e incompreensíveis da minha cabeça nos últimos dias? Como me despedaçar inteira em forma de texto enquanto os olhos profundos me dizem que tudo não passa de hormônios e neurônios?
Como tornar publicável o espectro sutil e sui generis do encontro do escritor com a leitora, da palavra com a retina?
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Labirintite
tu escreve muito bem. eu poderia dizer que as tuas palavras me tocam. mas o que eu sinto é um pouco mais que isso. é como se eu bebesse tuas palavras e fosse contaminada e elas tivessem correndo ou passeando dentro do meu sangue. eu sinto um pouco mais que um toque. eu sinto uma infecção. porque, eu como leitora, sentei e escolhi ler o texto como se tu tivesse falando comigo. e falou.
terça-feira, 11 de março de 2014
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Longe
Já me disseram que eu não sei criar raízes, que eu só penso
em ir embora. Nunca sei se consigo explicar como eu sou, como eu crio raízes
eternas em cada lugar que conheço, com cada pessoa que me toca. Não sei se um
dia vou ter a certeza de que essa é a melhor opção, essa coisa de ir e vir, o
desejo eterno de ir embora, mas essa é a minha única opção. Essa sou eu e só
assim consigo sentir-me completa e verdadeiramente eu. Eu.
Não é fácil. Eu convivo há anos, precisamente desde 2006,
com uma palavra de significado dolorido, um advérbio denso. Longe. Eu escolhi
uma vida de chegadas e partidas, sou jovem, porém, já carrego uma bagagem pesada,
três intercâmbios, vinte e dois países, inúmeras viagens, uma Porto Alegre e incontáveis
amores e amigos. Já fui definida por muita gente por uma palavra de igual peso.
Intensidade. Eu e essa intensidade rodamos o mundo e o bairro encontrando
pessoas, conhecendo almas, vivendo histórias e sendo tocadas lá no fundo por
mentes brilhantes e conversas interessantes, que fazem pensar.
Há poucos ou muitos oito anos eu venho apresentando-me e
despedindo-me desses lugares, dessas histórias e especialmente dessas pessoas
que moldam a minha vida, a minha história. Três dias, dois meses, um ano, 24
anos. A maioria delas são pessoas que eu escolhi conhecer, escolhi deixar que
me tocassem, que se tornassem personagens essenciais na minha trama, no enredo
da minha vida. Cada uma contribuiu e ainda contribui em algum aspecto nessa eterna
jornada de autoconhecimento, por mais clichê que essa frase pareça. Amigos,
paixões de um dia e amores eternos que entraram, saíram e mesmo assim ficaram.
Cada despedida, no lugar de tornar essas experiências efêmeras, as tornam
infinitas, presas no presente constante do meu coração, nas lembranças eternas
e nas marcas visíveis e invisíveis que deixam em mim, ao tocarem a essência do
meu ser.
Longe. Cada pessoa que se vai, mesmo para voltar, cada vez
que eu vou, mesmo para voltar, cada vez que eu sei que nunca mais voltarei, é
mais um longe para carregar. A bagagem quase sobrecarrega, e a mente dói de tanta
informação para processar. Entretanto, o mais complicado é o peso do pobre coração
viajero. Ele sente falta, ele se angustia, ele quer o presente eterno, ele
escolheu essas pessoas a dedo e não consegue lidar com esse longe que teima em
chegar sempre, a cada viagem, a cada história, a cada despedida. E vejam bem,
eu nem pude falar em saudade, porque aí a mão treme no teclado e trava.
É a minha escolha, porque essa sou eu. Nessas histórias, nas
esquinas do mundo e nas esquinas do Bom Fim (ou Rio Branco), eu me liberto
completamente. Não preciso olhar para trás, eu só sou, só existo, de forma
pura, sem medos, sem pensar na autoestima, sem olhar para o lado. Minha
essência autêntica se mostra para essas pessoas especiais que cruzam o meu caminho,
aqui ou lá. Elas me tocam e eu me mostro, cheia de falhas, inacabada, mas, de
alguma forma, completa.
Completa por cada uma dessas almas que me tocaram, me
alimentaram, iluminam minha caminhada, e me dão forças para continuar a eterna viagem.
Todas essas, mesmo longe, estão sempre perto.
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
fica, 2013.
eu realmente não quero que esse ano termine. as implicações e o baque de realidade que vou ter digerir são demais para mim. não quero ter que viver num mundo onde meu maior desejo e a minha maior experiência fazem parte oficialmente do meu passado. não quero ter que viver mais um ano sem esse amor. não quero enfrentar a dura realidade do "acabou" sozinha, mais uma vez. alguma esperança poderia me dar forças nessas horas. mas não a vejo em lugar algum. eu fecho os olhos e não passa. o aperto do coração só aumenta. eu realmente não quero que esse ano termine.
sábado, 7 de setembro de 2013
Tanto conhecimento sem saber nada
Compreender cada gesto. Ler o pensamento pelo jeito que ele
fecha os olhos levando a mão ao rosto. O modo como a mão acaricia a recém-chegada
barba. Como ele ajeita várias vezes cada cacho do seu cabelo. O modo como
caminha apressado. A forma como ele se expressa, a voz e a fala. Cada expressão
e gíria, as antigas e as recentes. Os dois, meus favoritos, tipos de sorriso. Aquele mais tranquilo, cheio de carinho. E o
sorriso que é capaz de iluminar o mundo com a sua alegria. A gargalhada irônica
e a inesperada. As interjeições e a maneira como se agita quando é surpreendido
pela falha alheia. O jeito único de como toca na minha mão. Fecho os olhos e o
sinto apertando minhas bochechas. O abraço e a maneira como falava com a voz
suave para me agradar. Irritado, respira fundo, abaixa a cabeça e tenta ter
calma. Fala alto e nega. Não gosta de ser interrompido. Reconhecer praticamente
todas as assinaturas do seu corpo, do seu rosto e do modo como ele me olha e
fala. Uma sensação de estar em casa. Em quase um ano, ainda ardo de saudades.
Vejo um refúgio, meu lugar seguro e exatamente onde quero estar em cada um
desses detalhes. O que dói é saber identificar cada aspecto externo dele junto
da angústia da falta de possibilidade de descobrir o que, de fato, se passa lá
dentro.
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Que frio
Que frio, pensou ela durante toda a tarde. Que frio, que frio, que frio. Lendo as notícias do dia, o coração ia esfriando ainda mais. O mundo está perdido, mesmo. Preconceitos, injustiças e aquela tarde cinza, embalada pela chuva que não parava de cair há quatro dias. Quero meu pijama, minha cama e meu livro, dizia ela, emburrada e com os pés gelados. Seus medos e angústias quase sufocando suas entranhas.
Os detalhes são tudo na sua vida. Naquele momento, cada um deles contribuia para o mau-humor crescente. Segurando o guarda-chuva, era obrigada a tirar as luvas para atender o telefone. Bem capaz, não vou sair da minha rota, é cama e pijamas, deu, que frio. Caminhava a passos largos apesar de suas pernas curtas, cheia de raiva. Pisava em poças e o frio já emanava de dentro, não tinha como piorar.
Parou, olhou para o lado. Que estranho. Resolveu virar a esquina. Mudou o seu caminho, definiu o fim do seu dia. Não entendia muito bem o que estava fazendo. Chegou com a cara amarrada, franzindo as sombrancelhas, negando qualquer tipo de sorriso. Era noite e fazia ainda mais frio. Adentrou o café sem pensar em mudar sua atitude. Azar, tá frio e eu to triste, os médicos acabaram com o meu dia.
Durou uma hora. Um chá, um olhar, um carinho, algumas palavras. Ela se abriu, ela sorriu. Depois de um abraço com o poder de mudar o mundo, caminhando pela praça molhada e pela noite fria, viu seu coração quente de novo. De repente aquele cenário cinza ganhou cores. Os casacões compridos de inverno atestam: parece um filme do Woody Allen.
Uma respiração funda, um cafuné, uma despedida. Em casa, pensativa, sente o peso do seu coração e o calor que emana da felicidade. Os detalhes são tudo na sua vida e virar aquela esquina mudou o seu dia. Quem sabe amanhã, quando sair o sol, não terá medo de mudar seu caminho e virar a esquina, de vez.
Os detalhes são tudo na sua vida. Naquele momento, cada um deles contribuia para o mau-humor crescente. Segurando o guarda-chuva, era obrigada a tirar as luvas para atender o telefone. Bem capaz, não vou sair da minha rota, é cama e pijamas, deu, que frio. Caminhava a passos largos apesar de suas pernas curtas, cheia de raiva. Pisava em poças e o frio já emanava de dentro, não tinha como piorar.
Parou, olhou para o lado. Que estranho. Resolveu virar a esquina. Mudou o seu caminho, definiu o fim do seu dia. Não entendia muito bem o que estava fazendo. Chegou com a cara amarrada, franzindo as sombrancelhas, negando qualquer tipo de sorriso. Era noite e fazia ainda mais frio. Adentrou o café sem pensar em mudar sua atitude. Azar, tá frio e eu to triste, os médicos acabaram com o meu dia.
Durou uma hora. Um chá, um olhar, um carinho, algumas palavras. Ela se abriu, ela sorriu. Depois de um abraço com o poder de mudar o mundo, caminhando pela praça molhada e pela noite fria, viu seu coração quente de novo. De repente aquele cenário cinza ganhou cores. Os casacões compridos de inverno atestam: parece um filme do Woody Allen.
Uma respiração funda, um cafuné, uma despedida. Em casa, pensativa, sente o peso do seu coração e o calor que emana da felicidade. Os detalhes são tudo na sua vida e virar aquela esquina mudou o seu dia. Quem sabe amanhã, quando sair o sol, não terá medo de mudar seu caminho e virar a esquina, de vez.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Um ano
Hoje faz um ano que cheguei na França. Um ano
do começo de um capítulo da minha vida que, mesmo já tendo terminado,
vai durar pra sempre. Cheguei no dia 23 de agosto de 2012 na região
Rhône-Alpes, que seria a minha casa por 10 meses, uma pessoa
bem diferente da que sou hoje. A essência segue a mesma, mas a Bebeth
que eu era há um ano já passou. Hoje olho pra trás, relembro com o
coração apertado e com lágrimas nos olhos dos momentos, das pessoas, dos
lugares e de cada instante dessa vida que vivi no meu terceiro
intercâmbio. O maior aprendizado dessa história foi sobre mim mesma.
Hoje sou mais feliz, mais confiante, mas certa das minhas prioridades,
mais madura. Minhas fraquezas continuam, mas a bagagem que carrego há 23
anos, cada vez mais pesada, me dá forças para seguir em frente dia após
dia. Ainda tem muita estrada no meu caminho, muitas histórias para
serem contadas, muita coisa para aprender. Mas hoje, revivendo um pouco
desse ano que passou, me vejo admirando da janela do meu quarto no Rabot
os alpes franceses. Me sinto tranquila mais uma vez, contente e pronta
para enfrentar o mundo.
sábado, 29 de junho de 2013
quando alguém te inspira
alguma coisa acende por aqui
não para de piscar
e até incomoda
acorda aquele pedaço de ti
que há muito tempo dormia
parecia que tinha ido embora
e quando acorda
não te deixa em paz
em cada esquina
em cada suspiro
aquele sono mostra
que já ficou pra trás
uns dizem que é poesia
outros chamam só de arte
ao meu ver é puro coração
é dar à alma o que ela queria
e que de mim, sempre fez parte
e quando ele chega
tu respira
e inspira
e cada vez que respira
inspira
e inspira
e inspira
e viver deixa de ser só existir
tudo fica mais leve
a beleza não sai do olhar
a gente para e reflete
depois de tanto tempo
como é que ele consegue?
porque quando alguém te inspira
até tua simples respiração
ilumina
não para de piscar
e até incomoda
acorda aquele pedaço de ti
que há muito tempo dormia
parecia que tinha ido embora
e quando acorda
não te deixa em paz
em cada esquina
em cada suspiro
aquele sono mostra
que já ficou pra trás
uns dizem que é poesia
outros chamam só de arte
ao meu ver é puro coração
é dar à alma o que ela queria
e que de mim, sempre fez parte
e quando ele chega
tu respira
e inspira
e cada vez que respira
inspira
e inspira
e inspira
e viver deixa de ser só existir
tudo fica mais leve
a beleza não sai do olhar
a gente para e reflete
depois de tanto tempo
como é que ele consegue?
porque quando alguém te inspira
até tua simples respiração
ilumina
quarta-feira, 26 de junho de 2013
enter
eu gosto de escrever e apertar enter sem pensar
só vai
e foi
é como um abismo, é uma vertigem de palavras
só vai
e foi
é como um abismo, é uma vertigem de palavras
esse sentir
será
sei lá
o que que é isso
essa atração qualquer
esse sentir
esse pensar
essa coisa que persiste
eu não queria
mais confusão
mais desacerto
mais coisas platônicas
pra que misturar
por que esses detalhes
por que importam
ai
ai
onde isso vai
não vejo nada no horizonte
mas dentro de mim
sim
será
sei lá
sei lá
o que que é isso
essa atração qualquer
esse sentir
esse pensar
essa coisa que persiste
eu não queria
mais confusão
mais desacerto
mais coisas platônicas
pra que misturar
por que esses detalhes
por que importam
ai
ai
onde isso vai
não vejo nada no horizonte
mas dentro de mim
sim
será
sei lá
quinta-feira, 18 de abril de 2013
A nostalgia precoce
A metade do meu intercâmbio chegou e foi embora correndo. Hoje foi o meu último dia de aula na Université Stendhal - Grenoble 3. Agora só mais uma prova e um trabalho e depois, c'est fini. Hoje começou oficialmente o meu último mês capital dos alpes. Num piscar de olhos, em dois meses, estarei de volta a Porto Alegre.
Hoje foi um dia lindo. O sol ainda tá brilhando, são 19h28 agora. Eu acordei super cedo, cheguei suando na faculdade, fui pedalando pela beira do rio sob o sol matutino dessa primavera. Tive minhas duas últimas aulas com o M. Guichard. Hoje, em um dos meus últimos dias no campus, tive mais uma das epifanias que venho tendo desde o início da semana.
Faz 8 meses que eu estou vivendo o meu terceiro intercâmbio, minha quarta grande viagem. Qualquer um poderia imaginar que eu tiraria de letra esse ano na França. Afinal, já aprendi demais, todas as reflexões já foram feitas, não canso de contar minhas experiências e aprendizados. Sim, faz muito tempo que o mundo é meu, que eu sou do mundo. (Agora é a hora em que eu falaria sobre respirar cultura e estudar línguas, mas vou tentar trocar o disco). É verdade que a convivência internacional já não é novidade pra mim - a primeira vez que morei com um estrangeiro foi em 2005, quando uma intercambista americana morou lá em casa, em Bagé - mas nada disso diminui de forma alguma a enormidade e a importância de tudo que eu aprendi nesses quase dois semestres na França. Cada esquina do mundo é única.
Já é possível fazer uma retrospectiva da vida que estou vivendo aqui. Como eu sempre digo, é uma realidade paralela, é um sonho. Ela tem começo, meio e fim. Ontem eu saí da prova e fiquei sentada horas com o Marcel discutindo sobre assuntos polêmicos, nosso prato preferido. Fazia sol, a grama estava fofíssima e a brisa chegava gostosa. Ontem relembramos a gente, na semana do Natal, com -15ºC na Polônia, em Auschwitz, no dia mais cinza da minha vida. Eu não sentia meus pés, o coração tava apertado, o vento cortava o rosto. Lembro também de setembro, do exato momento quando mergulhei no Mediterrâneo pela primeira vez, junto da Natasha e da Marcela. Ou então, talvez o momento mais esperado da minha vida, a primeira vez que eu vi a Torre Eiffel - símbolo concreto da realização de um sonho -, com certeza a melhor experência que eu já tive na companhia de franceses. A primeira vez que vi a vista da minha janela aqui na minha casa na montanha. As randonnées, a neve, o calor, as festas, a Mari, a Lu, a Cíntia, os colombianos, a Bastilha, o Campus, a Ouest, a bicicleta, o tram, a place Grenette, a Victor Hugo, os sorteves, os crepes, o London Pub, as viagens, os lugares, as pessoas, os meus vizinhos, as comidas que eu preparei, as risadas, os prazeres, a dor, o choro, a alegria, as nuvens, a subida do Rabot, o Casino Gèant, os olhares, os momentos e as lembranças.
É impossível colocar em palavras tudo o que se sente durante uma experiência desse tipo. Só quem vive essa adrenalida e essa intensidade consegue imaginar. Até hoje estou esperando a coragem para escrever verdadeiramente sobre os Estados Unidos, sobre a América Latina e sobre a Grécia. Com certeza nunca conseguirei definir Grenoble também. As dúvidas são inevitáveis. Será que eu fiz certo? E se não tivesse sido assim? Mas a certeza é uma só: tinha que ter sido assim, essa é a minha experiência, esse foi o meu ano.
Foi difícil? Com certeza. E é por causa dessas dificuldades que hoje eu sou mais forte que ontem, estou mais madura e me conheço melhor. A melhor reflexão desse intercâmbio foi descobrir que a minha essência de quando eu comecei a estudar inglês com 6 anos, de quando eu fui para os Estados Unidos com 16 e hoje aqui, com 23 anos na cara, é exatamente a mesma. Mais velha, mais madura, mais inteligente, mais gorda, mas a mesma.
Eu já passei por isso, a despedida, duas vezes. Sobrevivi. Sei que vou sobreviver a minha partida de Grenoble. Tenho ainda um mês aqui para aproveitar tudo dessa cidade maravilhosa. Grenoble é incrível em todos os aspectos, mas outra hora eu explico o porquê. O que, infelizmente, eu não posso evitar é esse constante aperto no coração, essa nostalgia precoce, essa vontade insurportável de reviver os melhores momentos e estar perto das melhores pessoas. Foi, e está sendo, um ano mágico. Com certeza um dos melhores da minha vida.
Esse capítulo grenobloise vai terminar e minha vida vai seguir seu curso. Mesmo não conseguindo nunca definir o que esse ano significou, Grenoble vai estar sempre dentro de mim, nas minhas qualidades e nas melhores lembranças desse mundo.
Hoje foi um dia lindo. O sol ainda tá brilhando, são 19h28 agora. Eu acordei super cedo, cheguei suando na faculdade, fui pedalando pela beira do rio sob o sol matutino dessa primavera. Tive minhas duas últimas aulas com o M. Guichard. Hoje, em um dos meus últimos dias no campus, tive mais uma das epifanias que venho tendo desde o início da semana.
Faz 8 meses que eu estou vivendo o meu terceiro intercâmbio, minha quarta grande viagem. Qualquer um poderia imaginar que eu tiraria de letra esse ano na França. Afinal, já aprendi demais, todas as reflexões já foram feitas, não canso de contar minhas experiências e aprendizados. Sim, faz muito tempo que o mundo é meu, que eu sou do mundo. (Agora é a hora em que eu falaria sobre respirar cultura e estudar línguas, mas vou tentar trocar o disco). É verdade que a convivência internacional já não é novidade pra mim - a primeira vez que morei com um estrangeiro foi em 2005, quando uma intercambista americana morou lá em casa, em Bagé - mas nada disso diminui de forma alguma a enormidade e a importância de tudo que eu aprendi nesses quase dois semestres na França. Cada esquina do mundo é única.
Já é possível fazer uma retrospectiva da vida que estou vivendo aqui. Como eu sempre digo, é uma realidade paralela, é um sonho. Ela tem começo, meio e fim. Ontem eu saí da prova e fiquei sentada horas com o Marcel discutindo sobre assuntos polêmicos, nosso prato preferido. Fazia sol, a grama estava fofíssima e a brisa chegava gostosa. Ontem relembramos a gente, na semana do Natal, com -15ºC na Polônia, em Auschwitz, no dia mais cinza da minha vida. Eu não sentia meus pés, o coração tava apertado, o vento cortava o rosto. Lembro também de setembro, do exato momento quando mergulhei no Mediterrâneo pela primeira vez, junto da Natasha e da Marcela. Ou então, talvez o momento mais esperado da minha vida, a primeira vez que eu vi a Torre Eiffel - símbolo concreto da realização de um sonho -, com certeza a melhor experência que eu já tive na companhia de franceses. A primeira vez que vi a vista da minha janela aqui na minha casa na montanha. As randonnées, a neve, o calor, as festas, a Mari, a Lu, a Cíntia, os colombianos, a Bastilha, o Campus, a Ouest, a bicicleta, o tram, a place Grenette, a Victor Hugo, os sorteves, os crepes, o London Pub, as viagens, os lugares, as pessoas, os meus vizinhos, as comidas que eu preparei, as risadas, os prazeres, a dor, o choro, a alegria, as nuvens, a subida do Rabot, o Casino Gèant, os olhares, os momentos e as lembranças.
É impossível colocar em palavras tudo o que se sente durante uma experiência desse tipo. Só quem vive essa adrenalida e essa intensidade consegue imaginar. Até hoje estou esperando a coragem para escrever verdadeiramente sobre os Estados Unidos, sobre a América Latina e sobre a Grécia. Com certeza nunca conseguirei definir Grenoble também. As dúvidas são inevitáveis. Será que eu fiz certo? E se não tivesse sido assim? Mas a certeza é uma só: tinha que ter sido assim, essa é a minha experiência, esse foi o meu ano.
Foi difícil? Com certeza. E é por causa dessas dificuldades que hoje eu sou mais forte que ontem, estou mais madura e me conheço melhor. A melhor reflexão desse intercâmbio foi descobrir que a minha essência de quando eu comecei a estudar inglês com 6 anos, de quando eu fui para os Estados Unidos com 16 e hoje aqui, com 23 anos na cara, é exatamente a mesma. Mais velha, mais madura, mais inteligente, mais gorda, mas a mesma.
Eu já passei por isso, a despedida, duas vezes. Sobrevivi. Sei que vou sobreviver a minha partida de Grenoble. Tenho ainda um mês aqui para aproveitar tudo dessa cidade maravilhosa. Grenoble é incrível em todos os aspectos, mas outra hora eu explico o porquê. O que, infelizmente, eu não posso evitar é esse constante aperto no coração, essa nostalgia precoce, essa vontade insurportável de reviver os melhores momentos e estar perto das melhores pessoas. Foi, e está sendo, um ano mágico. Com certeza um dos melhores da minha vida.
Esse capítulo grenobloise vai terminar e minha vida vai seguir seu curso. Mesmo não conseguindo nunca definir o que esse ano significou, Grenoble vai estar sempre dentro de mim, nas minhas qualidades e nas melhores lembranças desse mundo.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
17 de janeiro
sério,
hoje foi um dos dias mais lindos em grenoble. a neve não parou de cair,
mesmo com céu azul e com sol. desci o rabot pensando em coisas boas e
vendo os flocos dançando com o vento, demorando a cair, pousando de leve
no chão e derretendo rápido. ou parando tranquilos no meu casaco e no
meu cabelo. ficar só olhando cada floco, cada um desenhadinho de um
jeito, tão pequenos, tão lindos, tão branquinhos,
tão leves, tão perfeitos. como pode esses cristaizinhos cairem lá do
céu e chegarem aqui sendo tão lindos? e todos eles juntos ainda por cima
nos dão essa paisagem branca e reconfortante que é única. eu podeira
passar horas e horas só vendo a neve cair. é magia sim, cada floco é um
pedacinho de mágica que cai do céu.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Uma tarde de sol no inverno francês
O tempo muda rápido nas montanhas e o inverno é rigoroso. O vento sopra forte e mesmo assim as nuvens passeiam, na maioria das vezes, sem pressa. Em meio ao inverno majoritariamente branco nos alpes franceses é possível encontrar o sol em dias inesperados como hoje. Numa tarde de terça-feira ensolarada, até, quiçá, quente, aos olhos dos velhos acostumados à vida nas montanhas geladas, as pessoas tomam conta as ruas. No meio da semana tu poderias imaginar que eles estariam trabalhando, tendo aulas, cuidando dos seus afazeres. Mas os cafés em Grenoble, capital do departamento de Isère, na região Rhône-Alpes, na França, estão lotados. As mesas invadem as calçadas e pessoas de todas as idades estão por lá, caminhando no centro, no campus universitário e no bairro vizinho. Eu desço do tram na parada de nome mais gostoso da cidade: "Hubert Dubedout - Maison du Turisme" imersa em meus fones de ouvido tentando compreender as palavras em catalão cantadas numa música qualquer no meu celular. Chego na Place Grenette. O meu olhar sobe e de repente não estou mais imersa em meu mundo. Vejo uma tarde de sol no inverno francês. Um homem nos seus vinte e tantos anos lê um livro, com uma cerveja numa mesa logo na minha frente. Ao lado uma moça coloca os óculos de sol e acende um cigarro, conversando com a amiga. Atrás dois velhinhos discutem sobre algum assunto qualquer, logo ali um homem lê o jornal comprenetrado enquanto uma mãe brinca com sua criança que corre por entre as mesas. A senhora passeia com o seu cachorrinho e o cachorrão do hippie meio morador de rua parece que presta atenção na música que sai do violão do seu humano. O casal passeia de mãos dadas. Mãe e filha olham vitrines. Pessoas esperando o tram, tomando café, comendo um crepe. Eu sigo. Na esquina o som da gaita traz saudades de Paris. A fonte no centro da praça está seca, os adolescentes encostados nela estão fixados no celular. Os prédios em torno da praça, de arquitetura tradicionalmente francesa, que mesmo em seis meses ainda enchem os meus olhos, completam a paisagem. É como um daqueles quadros retratando o cotidiano europeu que nos faz ficar horas divagando e imaginando como deveria ser. Em seis meses essa cidadezinha nos alpes virou minha casa, dona do meu cotidiano, um verdadeiro lar durante essa incessante busca por auto-conhecimento. E ainda assim, da mesma forma que meu coração acelera cada vez que abro a janela pela manhã e me deparo com as montanhas brancas e a cidade amanhecendo lá embaixo, em inúmeros pequenos momentos, como o dessa tarde, me pego estarrecida, sem ainda acreditar verdadeiramente que estou vivendo num cenário saído direto do meu mais querido sonho.
"(...)I estirat, pensant això,
sé que no puc triar-on vaig,
però m'il·lusiono els dematins.
Jo només puc fer el que faig.
Sembla que tot s'ha mogut
i que tornarà a ser maig.
Jo només faig el que puc.
Jo només puc fer el que faig.
Intentant entendre'm més.
Repassant el que he viscut.
Sé que no tot ha estat bé.
Jo només faig el que puc."
"(...)I estirat, pensant això,
sé que no puc triar-on vaig,
però m'il·lusiono els dematins.
Jo només puc fer el que faig.
Sembla que tot s'ha mogut
i que tornarà a ser maig.
Jo només faig el que puc.
Jo només puc fer el que faig.
Intentant entendre'm més.
Repassant el que he viscut.
Sé que no tot ha estat bé.
Jo només faig el que puc."
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Delírios sóbrios de uma volta pra casa
A língua
emana traços insólitos de pensamentos não desenvolvidos. A mente divaga sobre
as histórias nunca contadas, escritas em um livro sem prefácio nem epílogo.
Lembranças escondidas em um emaranhado de opiniões, críticas e expressões
mal-acabadas. Contos e mais contos alimentados, durante anos, por resquícios de
antigos desejos. Desejos esses ainda latentes, vivos em cada personagem
retratado dentro dessa biblioteca de ideias.
A ponta do
lápis encosta no papel, e os filhos paridos pela insana imaginação ainda
ingênua da moça dos olhos castanhos saltam como coelhos apressados tentando não
perder a hora do chá. São mãos, bocas, sonhos, passos perdidos e olhares
encontrados misturados ao ritmo quente da valsa que tocava na noite passada.
Acordada
dentro de um sonho ela sublinha as possibilidades, e reflete sem qualquer
lucidez sobre os desdobramentos dessa história. É uma dança surda que nem o
próprio rei coração, retorcido entre seus átrios e ventrículos, - regente
superior desse universo sem era nem beira -, alcança a compreensão.
Por vezes é
como se todas as vontades já sentidas por aqueles olhos atacassem de uma só vez
a biblioteca numa explosão de sentimentos sem semelhante. Ela não cansa, mas
está exausta. Cada janta, ligação, passeio na lua, volta de balão e subida de
montanha suga parte de seus suspiros, acabando por deixá-la sem forças diante
das enormes vontades de uma vida inteira.
Olhar para
o céu já não mais basta. É preciso que o mar, a terra, a água, o fogo, a folha
que caiu daquela árvore naquele dia em Barcelona, o sopro do vento entre os prédios
e o toque suave dos amantes no banco da praça central se unifiquem e, juntos,
façam, de alguma forma, sentido. Onde foi parar o sentido descrito naquele
parágrafo?
Antes as coisas pareciam tão
fáceis. Nessa biblioteca-mundo nem sempre os personagens tem voz. Os olhos
castanhos machucam e procuram abrigo no país vizinho. Essa aventura danada
alguns por aí teimam em chamar de vida. Vida, cabeça, tacos de Lyon, nuvem
amarela, qual é a diferença? Enquanto o lápis toca o papel, os pássaros
voam cada vez mais longe, vão diminuindo no horizonte até se tornarem míseros
pontinhos que dói só de olhar.
A língua
emana traços insólitos de pensamentos não desenvolvidos. Os olhos castanhos
miran lejos. E a paixão lê, com calma, cada linha em cada esquina dessa
história de um lado só.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Como é?
"é como finalmente descobrir que não se pode viver sem oxigênio, é o arrepio da pluma passeando pela pele, é andar pelas nuvens de moto à 250 km/h, é como a vertigem na beira do precipício, é como chegar ao topo da montanha e tocar na neve fresca, é como o poder de abraçar o mundo, é como flutuar lépida no mediterrâneo, é como a mais pura adrenalina, é como um terremoto, é como a força da água nas pedras dos molhes da barra, é como encontrar sombra na imensidão do deserto, é como ser a própria borboleta dentro do estômago, é como se não existisse nenhuma outra pessoa no mundo, é como se aquele momento fosse uma vida inteira, é como se aquela troca fosse a única sensação possível, é como correr para escapar de uma explosão, é viver essa explosão, é se deixar levar completamente, é o carinho de um urso, é poder voar como um pássaro, é saltar de asa-delta, é a sensação do maior prazer existente, é como se a vontade estivesse tatuada na pele, em cada esquina e em cada centímetro, é como um êxtase infinito, é o desejo na sua forma mais bruta e mais pura."
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Sobre Paris
com um mês de atraso, mas merece ficar registrado:
Eu vi o túmulo do Alexandre Dumas. Eu comi foie gras. Eu vi "A Liberdade guiando o povo". Eu vi o túmulo do Allan Kardec. Eu fui onde morava a Maria Antonieta. Eu comi escargot. Eu fui no castelo de Seráfia. Eu subi na Torre Eiffel. Eu vi o código de Hamurabi. Eu vi o "Quarto em Arles". Eu comi créme brulée. Eu sentei e fiz piqueniques em lugares simplesmente fantásticos, cenários de quadros, filmes e livros reais, e da minha imaginação. Eu vi uma amiga que eu não via há 10 anos. Eu passeei na beira do Sena. Eu toquei nas pirâmides do Louvre. Eu fui na Rue Mouffetard. Eu conheci pessoas muito especiais. Eu vi as gárgulas de Notre-Dame. Eu comi crepe de nutella numa esquina simpática qualquer. Mais de uma vez. Eu fui no jardim de Monet. Eu apreciei e refleti em cada momento, cada esquina, cada imagem incrível. E mais, bem mais. Lá se foram os meus primeiros 10 dias em Paris. Eu to muito cansada, vou voltar pra Grenoble ainda mais cansada do que antes. Mas acabei de viver 10 dias inesquecíveis e realizei milhares de pequenos sonhos, to feliz. Obrigada, família, amigos, mãe, pai, papai do céu e vida. Eu conheci Paris e fiz, vi e vivi TUDO que eu queria. :)
Eu vi o túmulo do Alexandre Dumas. Eu comi foie gras. Eu vi "A Liberdade guiando o povo". Eu vi o túmulo do Allan Kardec. Eu fui onde morava a Maria Antonieta. Eu comi escargot. Eu fui no castelo de Seráfia. Eu subi na Torre Eiffel. Eu vi o código de Hamurabi. Eu vi o "Quarto em Arles". Eu comi créme brulée. Eu sentei e fiz piqueniques em lugares simplesmente fantásticos, cenários de quadros, filmes e livros reais, e da minha imaginação. Eu vi uma amiga que eu não via há 10 anos. Eu passeei na beira do Sena. Eu toquei nas pirâmides do Louvre. Eu fui na Rue Mouffetard. Eu conheci pessoas muito especiais. Eu vi as gárgulas de Notre-Dame. Eu comi crepe de nutella numa esquina simpática qualquer. Mais de uma vez. Eu fui no jardim de Monet. Eu apreciei e refleti em cada momento, cada esquina, cada imagem incrível. E mais, bem mais. Lá se foram os meus primeiros 10 dias em Paris. Eu to muito cansada, vou voltar pra Grenoble ainda mais cansada do que antes. Mas acabei de viver 10 dias inesquecíveis e realizei milhares de pequenos sonhos, to feliz. Obrigada, família, amigos, mãe, pai, papai do céu e vida. Eu conheci Paris e fiz, vi e vivi TUDO que eu queria. :)
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Les 3 mois
Hoje completo 3 meses de França, quase 3 meses de Grenoble. Numa segunda-feira, 27 de novembro de 2006, eu escrevi sobre os meus primeiros 3 meses no meu intercâmbio nos Estados Unidos. Lendo aquele texto me vejo com 16 anos, cometendo ainda mais erros gramaticais que hoje, jovem, imatura em diversos aspectos, mas com pensamentos que formam quem eu sou até hoje. Hoje, madrugada do dia 23 de novembro de 2012, 6 anos depois, lendo aquele texto, vejo como mudei, como cresci, como amadureci mas, principalmente, como sigo sentindo as mesmas coisas e sendo completamente a mesma pessoa. Aquelas primeiras impressões da minha primeira grande viagem internacional forjaram muito do que eu sou hoje. Fico com o coração quente e confortável em pensar como a Bebeth de 16 anos ficaria feliz em saber que, 6 anos depois, eu/ela estaria vivendo algo ainda mais intenso e enriquecedor como o intercâmbio nos Estados Unidos. As pessoas me perguntam porque quero ficar. Ora, os motivos são intermináveis. Sentada na minha cama na frente do computador, hoje lembro e penso em tudo que vivi nesses 3 meses. Tudo que conheci, tudo que senti, todas as pessoas que conheci, lugares que visitei, momentos inesquecíveis que passei, sentimentos com uma intensidade incrível que senti, tudo que eu aprendi, todas as histórias que vivi e tudo que ainda vou aprender e todas as histórias que ainda vou viver. O coração acelera, bate mais forte, o corpo fica quente, a gente fica mais leve. Com certeza não é fácil. É a primeira vez que estou morando sozinha, tendo que me virar pra limpar a casa, lavar roupa, cozinhar e fazer sobrar mês no fim do dinheiro. Francês não é inglês e as aulas não são fáceis. Sou obrigada a ser responsável sozinha, a estudar, a manter meus horários, a cumprir minhas obrigações sem a Rosa Maria gritando "ANA ELIZABETH, TROCA O LENÇOL DA TUA CAMA!!" Estou vivendo pela primeira vez sem a ajuda da minha mãe e nenhuma outra mãe (Kim e Joanne, amo vocês). Eu inventei de estudar latim e alemão EM FRANCÊS. Eu subo uma montanha todos os dias. Eu já morri de rir, já sofri, já chorei, já fiquei bêbada, já gostei demais, já odiei, já pensei duas vezes, já não pensei, já vibrei, já me irritei, já fui a pessoa mais triste do mundo e, o melhor, já me senti a pessoa mais feliz do mundo, diversas, diversas vezes. Como eu falo da Grécia, isso que eu estou vivendo é um sonho. Não é só a realização de um sonho, mas é literalmente um sonho. Uma vida onde tudo é novidade, onde tu aprende EM CADA SEGUNDO que tu vive, onde tu não cansa nunca, onde tudo vale a pena, onde o frio na barriga é uma sensação constante, onde cada passo é um desafio, onde não existe tempo para ficar entediada, onde se respira cultura, onde cada pequena conquista tem o sabor da melhor vitória, onde a intensidade reina e faz esses 3 meses entrarem na lista dos melhores meses da minha vida. Estou em constante evolução pessoal. Já disse por aqui várias vezes que a única certeza que nutro na alma é a possibilidade de sempre, sempre aprender. A diferença é que em Porto Alegre, ou em Bagé, eu levo uma certa quantidade de tempo para aprender uma determinada parcela de alguma coisa qualquer. Numa viagem, num intercâmbio, numa experiência dessa intensidade, esse tempo é reduzido MUITAS, MUITAS VEZES. A cabeça dói de tanta informação, tanta reflexão, tanto pensamento passeando na tua mente. Não é fácil, mesmo. A saudade dói, penso todos os dias nos meus sobrinhos, na minha família, sinto muita falta das minhas amigas, de comer um sushi, de estar perto da minha mãe e dos meus irmãos. Mas eu sei que todos que eu amo estão felizes por me verem realizada por aqui. E, de alguma forma muito estranha, sei que vivendo e aproveitando cada segundo dessa etapa da minha vida, ela está me dando muitas respostas que vão me ajudar nas minhas próximas caminhadas. Hoje, lendo nesse blog um texto de 6 anos atrás, me pergunto onde eu estarei em 2018... e tenho borboletas no estômago e uma sensação muito boa. Que venham os próximos meses!
Assinar:
Postagens (Atom)
